NOTÍCIA
DN, Editorial "Mesmo em tempo de crise crianças são o futuro"
publicado a 23/10/2011
Mesmo em tempo de crise crianças são o futuro
Nesta época de crise financeira, que cada vez mais é também de crise económica, ninguém está muito preocupado em discutir questões como a baixa natalidade do País. A prioridade é pôr as contas públicas em ordem, relançar a economia e devolver aos portugueses um certo nível de prosperidade. Mas a médio prazo a incapacidade de substituir as gerações - com as mulheres a terem em média apenas 1,3 filhos quando a renovação natural exigia 2,1 - trará sérios problemas ao País. Seja porque uma população envelhecida implica mais despesas sociais, seja porque a falta de gente nova no mercado de trabalho põe em causa a sustentabilidade da Segurança Social. Se houver pouca população activa comparada com a população idosa, a capacidade do sistema para pagar reformas será seriamente afectada. Caso a tendência prossiga, há estimativas que baixam para menos de sete milhões o número de portugueses em 2100.
Por isso, numa época em que também escasseiam os incentivos estatais à maternidade, é de elogiar todas as iniciativas que facilitem a vida aos casais que ainda insistem em ter filhos. Afinal, nascem cerca de cem mil crianças por ano em Portugal. E entre essas iniciativas estão as creches criadas pelas empresas para os filhos dos seus funcionários - mais baratas, localizadas ao lado do local de trabalho e com horários flexíveis. Factores que facilitam a vida dos pais, mas que se traduzem em benefícios para os patrões. Estes tiram proveito da maior tranquilidade dos seus assalariados, bem como do reforço dos laços entre o trabalhador e a empresa - dá emprego e apoia a vida familiar.
Não se sabe como esta crise irá afectar a natalidade. É provável que muita gente adie ou desista do sonho de ter filhos. Mas uma certeza existe: sem crianças não há futuro para uma sociedade. E quando tanto se fala de aumentar a produtividade, talvez não seja com melhores salários - agora improváveis - que se chegue lá. Talvez, sim, com medidas de apoio ao trabalhador como estas creches, que, da TAP ao grupo Auchan, já existem em várias empresas. Que sirvam de inspiração.
