NOTÍCIA
Diário de Coimbra, "Banco da Maternidade e da Criança precisa de apoios para se manter"
publicado a 17/03/2011
ADAV LANÇA APELO
Banco da Maternidade e da Criança precisa de apoios para se manter
Ana Margalho
A presidente da Associação de Defesa e Apoio da Vida (ADAV) confessou que a instituição dispõe apenas, neste momento, da verba necessária para o pagamento da renda da cave onde ontem foi inaugurado o Banco da Maternidade e da Criança (BMC) para os próximos quatro ou cinco meses, apelando, por isso, «às forças vivas da cidade» que ajudem a manter este projecto, encarado como «um importante instrumento de combate à pobreza e à exclusão social».
Quatro ou cinco meses «é exactamente o tempo de que dispomos para arranjarmos os apoios financeiros estritamente necessários para mantermos este projecto», afirmou, durante a cerimónia de inauguração, Ana Maria Ramalheira, não tendo dúvidas de que, nomeadamente num tempo de restrições financeiras como as que vivemos, este projecto assume «uma importância fulcral» junto das pessoas carenciadas e das instituições (maternidades ou IPSS) que as apoiam.
Angariar, receber, recolher, armazenar e, depois, distribuir produtos (de todos os tipos) vocacionados para a mãe, bebé e criança já era missão da ADAV antes da inauguração do BMC, mas este projecto ? inspirado no Banco Alimentar contra a Fome ? aumenta a responsabilidade da instituição, que agora tem um espaço (uma cave e duas garagens, instalados no edifício onde já funciona a sede da instituição, na Rua Lourenço Almeida Azevedo) destinado apenas a este banco, onde é possível encontrar tudo o que é necessário a uma família, para um bebé ou criança até aos cinco anos.
Mais-valia económica,
social e ecológica
«Refiro-me a fraldas, leites para recém-nascidos, papas, artigos de higiene», roupas, calçado e outro material que está totalmente dividido, armazenado, catalogado e pronto para ser entregue às famílias que beneficiarão do BMC, tendo em conta as suas necessidades. Na divisão das roupas, centenas de caixas dividem as peças por sexos, idades, estação do ano ou quantidades. Bem recheada está também a divisão das fraldas e das papas. Tudo fruto dos donativos de particulares e empresas ou de campanhas de recolhas, feitas pela ADAV em hipermercados da região e de um árduo trabalho de organização dos voluntários da instituição.
O prémio é a concretização deste projecto, um dos 19 financiados pela Fundação EDP Solidária (entre os 454 que se candidataram em todo o país) e que, de acordo com Ana Maria Ramalheira, tem uma mais valia «social e económica», uma vez que vem «potenciar o trabalho de instituições e associações de Solidariedade Social da Rede Social de Coimbra, com intervenção prioritária na área da Família, Maternidade e Infância», mas também «ecológica», já que vem «contribuir para o reaproveitamento e reutilização de bens que deixam de ter valor para pessoas e entidades doadoras e que, de outra forma, seriam desperdiçados, com os consequentes custos ambientais».
Serão muitas as famílias a beneficiar desta mais-valia, sublinhou a presidente da instituição, que esteve acompanhada, na inauguração do BMC, por voluntários e amigos da ADAV, elementos da Fundação EDP Solidária, Maria João Castelo Branco, vereadora da Acção Social da autarquia e pela presença especial de António Barbosa de Melo, que aproveitou para falar sobre a verdadeira noção de voluntariado e pela crise de valores que existe, hoje em dia, no nosso país.
Natalidade justifica
criação do BMC
Ana Maria Ramalheira lamentou ontem que Portugal seja «um país em que a prática do aborto é premiada com a concessão de um subsídio social de maternidade e de 20 dias de baixa médica sem qualquer desconto no ordenado», e onde já se gastaram «cerca de 100 milhões de euros nos mais de 75 mil abortos legais realizados ?por opção? desde 2007». Isto no mesmo país onde, como sublinhou, se «cortam os abonos de família» e onde «nunca se concedeu o tão propagandeado cheque-bebé».
«Temos de dizer bem alto aos dirigentes deste país (?) que, sem crianças, os cidadãos activos desde país num futuro próximo (?) não haverá pura e simplesmente economia que nos valha», afirmou ontem a responsável, acrescentando que «nas actuais circunstâncias, apoiar a maternidade deveria ser a prioridade das prioridades de qualquer Governo».
Ana Maria Ramalheira lamentou que, em vez disso, «Portugal seja o país da União Europeia onde a natalidade caiu mais na última década», que o país apresente «taxas de natalidade consensualmente alarmantes» e que o número de óbitos seja já superior ao de nascimentos. Mais, a responsável garante que Portugal é o oitavo país com um índice de fecundidade mais baixo do mundo e que, em 2025, «se esta tendência não se inverter» será o «terceiro pais do mundo com a taça de natalidade mais baixa».
Por isso, tendo em conta a realidade portuguesa no que respeita à promoção da natalidade, a responsável não tem dúvidas de que «associações como a ADAV e equipamentos sociais como o Banco da Maternidade e da Criança ganham uma relevância social e económica muito especial» e, portanto, só tem de ter força e apoio para continuar a existir.
