NOTÍCIA
Ponto Norte Online, "Um filho a dividir por seis pais"
publicado a 15/06/2013
Um filho a dividir por seis pais
As famílias da Área Metropolitana do Porto emagreceram substancialmente, dos anos 60 até hoje. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) e do sítio Pordata, há 70 anos uma família média era constituída por 4,2 pessoas, ou seja pai mãe e dois filhos. Em 2011, de acordo com a mesma fonte, a dimensão das famílias da AMP baixou para 2,8, o que significa que há menos de um filho por casal.
Em 1960, só três concelhos da Área Metropolitana tinham famílias constituídas por menos de quatro indivíduos: Porto, Maia e Matosinhos. Dos restantes municípios, três, os que possuíam agregados mais numerosos, atingiam uma média igual ou superior a 4,5, altíssima para os dias que correm. Eram eles Santo Tirso, Arouca e Santa Maria da Feira.
Todavia, a dimensão das famílias foi baixando desde então, até atingir, em 2011, uma quebra de 150 por cento. Um descalabro. Só dois membros da AMP – Trofa e Arouca – têm hoje um agregado médio de três membros. O que, trocado por miúdos, poderá traduzir-se por uma família constituída por pai, mãe e um filho.
Para Carlos Soares, 50 anos, médico, dirigente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) no Porto, a situação é dramática. “Caímos no precipício, já batemos no fundo e continuamos a escavar”, declara ao Ponto Norte.
Mas há pior. Dos dezasseis membros da AMP, o Porto é aquele com as famílias mais reduzidas: têm uma média de 2,3 elementos. O que equivale aproximadamente a um filho por cada seis pais – ou a um filho por cada três casais.
São João da Madeira, Vila Nova de Gaia, Matosinhos e Espinho não estão muito melhor. Têm uma média de 2,6 pessoas por família, o que equivale, números redondos, a um filho por cada dois casais.
Carlos Soares lamenta que o nosso país siga “cantando e rindo” perante este problema e que “o Estado seja ferozmente antifamília”.
