Rádio Renascença -
27 Set
08
Demografia
Apoio às famílias pode inverter "Inverno
Demográfico"
RV/Ana Lisboa
O envelhecimento da população pode ser travado,
conclui um estudo da Associação Portuguesa de
Famílias Numerosas, com base em números da
demografia publicados pelo INE e pelo Eurostat.
O estudo vai ser apresentado este sábado no
seminário "O Inverno demográfico: o problema, que
respostas?”.
De acordo com o documento, Portugal vive um cenário
de envelhecimento e recessão demográfica, que pode
ser invertido se forem tomadas medidas que permitam
às famílias terem os filhos que desejam, sem serem
penalizadas por isso.
Em 2007, pela primeira vez desde 1918, morreram mais
pessoas do que aquelas que nasceram.
As mulheres portuguesas têm menos filhos e cada vez
mais tarde. O número médio de filhos por mulher em
idade fértil atingiu o mínimo absoluto de 1,32, em
2007, ano em que nasceram menos 60 mil crianças.
Este estudo da Associação de Famílias Numerosas
admite que o envelhecimento da população poderá ser
travado, e até mesmo invertido, por uma política que
permita as famílias terem os filhos que desejam, sem
serem por isso penalizadas.
Se nada for feito, aumentará a já grande
desproporção entre idosos relativamente a jovens e
pessoas em idade activa.
O seminário da Associação Portuguesa de Famílias
Numerosas vai também apresentar um documentário que
traça uma realidade a nível mundial que preocupa
economistas e sociólogos.
Economistas e sociólogos estão de acordo: o mundo
caminha em direcção a um “Inverno demográfico” que
ameaça ter consequências sociais e económicas
catastróficas.
O documentário mostra como as taxas de natalidade
têm caído dramaticamente nos últimos 40 anos e que
uma parte importante do mundo tem agora taxas de
natalidade bem abaixo dos níveis de reposição.
Os países nesta situação têm olhado para a imigração
como a solução para manter a sua capacidade laboral.
Os especialistas que participam no filme dizem que
pode ser demasiado tarde para evitar algumas
consequências muito graves, mas admitem que com
esforço talvez se possa evitar uma calamidade.
Para Fernando Castro, presidente da Associação
Portuguesa de Famílias Numerosas, a actual crise
demográfica assume contornos muito preocupantes e o
pior é que a tendência é para que se mantenha.
Para esta situação contribuem vários factores,
incluindo o baixo número de casamentos e a cada vez
maior taxa de divórcios.
Na opinião de Fernando Castro, nem tudo está perdido
e ainda há soluções para inverter a curva da
demografia, começando por alterações legislativas em
matéria do sistema fiscal das famílias e num reforço
dos abonos.
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Fernando Castro