Público -
10 Set
08
Plano de poupança de electricidade equivaleu ao
gasto do Porto e Guimarães
Lurdes Ferreira
A edição de 2007-2008 do programa de eficiência da
entidade reguladora do sector vai ter mais efeito do
que o previsto e ainda falta contabilizar os efeitos
no comércio e serviços
Os primeiros projectos lançados no âmbito do Plano
de Promoção da Eficiência no Consumo de Energia
Eléctrica (PPEC), no ano passado, vão permitir
poupar tanto quanto o consumo de 165 mil famílias,
aproximadamente o consumo anual conjunto dos
concelhos do Porto e Guimarães ou, isoladamente, de
Sintra.
É muito ou pouco? Pode parecer pouco por representar
apenas um por cento do consumo anual de
electricidade do país, mas é considerado muito para
um plano localizado de medidas de eficiência,
referentes a apenas dois anos (2007-2008).
Com o pacote de projectos em execução, a Entidade
Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) reviu
agora em alta o seu impacto, verificando-se, segundo
a própria, que ultrapassam os objectivos enunciados
pelos seus responsáveis. Em vez da prevista troca
para 550 mil lâmpadas mais eficientes, são
abrangidas 900 mil; em vez de 5500 frigoríficos de
eficiência de topo, são 7000.
As 26 medidas em execução desde o ano passado, por
parte de sete promotores, têm efeito até 2023,
acompanhando a vida útil dos novos electrodomésticos
adquiridos no âmbito da campanha.
A energia poupada neste período, à conta destas
medidas, é de 469 gigawatts/hora, correspondendo ao
consumo anual de 165 mil famílias. Deste total, a
parcela mais significativa - 275 GWh, tanto quanto
consomem normalmente 100 mil famílias - resulta de
medidas postas em prática no segmento residência,
provando que o consumo doméstico é o terreno eleito
para este tipo de programas.
Quanto aos consumidores industriais, o balanço da
ERSE indica que estes vão poupar, no total, 184 GWh,
equivalente ao consumo anual de 65 mil famílias. A
entidade reguladora toma como família-tipo
portuguesa a definida pelo INE, de 2,5 pessoas.
Menos emissões
O referido consumo evitado de electricidade tem
também efeitos positivos em termos de emissões de
dióxido de carbono. Serão menos 172 mil toneladas de
CO2 que, deste modo, serão produzidas até 2023, com
as tarifas a serem também poupadas a mais estes
custos.
A ERSE calcula que os efeitos globais finais serão
ainda superiores aos ora estimados, já que falta
entrar em conta com as medidas para o sector do
comércio e serviços - e que se encontram actualmente
em avaliação.
O programa de eficiência promovido pela ERSE foi
lançado em 2001, ainda sob a anterior presidência da
entidade reguladora, de Jorge Vasconcelos, tendo
funcionado nos primeiros anos apenas para as
empresas de distribuição do sector eléctrico.
O PPEC tem actualmente edições bianuais e uma
dotação orçamental anual de 10 milhões de euros,
financiada através das tarifas dos consumidores. Na
edição 2007-2008, o regulador aprovou os projectos
da EDP Comercial, EDP Distribuição, EDA, EEM, Endesa
Energia, ISQ e Union Fenosa.
Também o Governo se prepara para avançar com uma
outra campanha de distribuição gratuita de 4,5
milhões de lâmpadas eficientes, patrocinada por EDP,
CTT, Sonae e Jerónimo Martins. Parte da campanha
será financiada pelo fundo de inovação das eólicas.
Com um custo global de cinco a seis milhões de
euros, o Governo promete distribuir gratuitamente
lâmpadas de baixo consumo junto das famílias de
menores rendimentos e nas escolas.