Público -
10 Set
08
O que vai fazer para melhorar a escola?
A pergunta foi por e-mail enviado de forma aleatória
a professores de todo o país. Os primeiros 85
confessam-se desmotivados, mas prometem fazer o seu
melhor. Recolha de Bárbara Wong
Vou lidar com os problemas com uma postura mais
humana do que a que o Governo tem adoptado para com
os professores. Isabel Santos, 29 anos, 1.º CEB
Vou exigir respeito, dignidade e condições de
trabalho, não compactuar com o facilitismo, a
estatística e o folclore. Glória Costa, 47 anos, 3.º
CEB e sec.
Continuar a ser a professora que sempre fui. Ana
Maria Machado, 59 anos, professora de Português, do
ensino secundário
Vou melhorar o espaço de convívio dos alunos. Helena
Lobo, 39 anos, professora de Educação Visual, 3.º
CEB
Reforçar as boas práticas e enfrentar os desafios
com toda a determinação. Carla Sobrinho, 48 anos,
professora de Economia, Direito, Sociologia,
secundário
Com um Governo a expor-me como "a Doença a Tratar da
Escola Pública" é difícil estar motivado. Tentarei
sorrir. Maurício Brito, 38 anos, Educação Física,
secundário
Continuar a instruir, ajudando a educar, em
colaboração com os pais que educam e ajudam a
instruir. J.Pierre Silva, 35 anos, Francês e
Português, 3.º CEB
Cumprimentar todos com mais entusiasmo: "Bom dia
Gente Boa." Vai existir certamente paz. Adriano
Figueiredo, 58 anos, Ed. Vis., Art. Plást.s, Hist.
da Cult. Art., 3.º CEB e sec.
Vou cumprir o programa e não vou entrar em floreados
de dar contributos extra para a escola como fazia
até aqui. Pedro Areias, 46 anos, Fil./Psic. e
Integração, sec.
Trabalhar com os alunos, de preferência com sorrisos
partilhados, e não ceder no compromisso da
competência e do rigor. Aida Sampaio Lemos, 39 anos,
Port., sec.
Este ano vou fazer o que já fazia a.MLR e o que
continuarei a fazer d.MLR: A cumprir o meu dever.
Antónia Lagarto, 52 anos, prof. EVT, 2.º CEB
Ignorar que a escola está doente e dar o melhor que
puder aos meus alunos. Deolinda Peralta, 56 anos,
Português e Francês, secundário
Vou trabalhar como se a ministra da Educação não
existisse; vou ser simplesmente professor. António
Marcos Tavares, 53 anos, professor de Filosofia, sec.
O que faço todos os anos. Sou professor a 100%.
Estou sempre disponível para as solicitações dos
alunos e da escola. Artur Jorge Carvalho, 41 anos,
professor do 1.º ciclo
Vou alhear-me da burocracia galopante, do desalento
e das ofensas do ministério e continuar a ensinar.
Helena Cunha, 42 anos, professora de Matemática, 2.º
ciclo
Dar continuidade ao Boletim Escolar, com o objectivo
de dar voz à comunidade da secundária de Camões, em
Lisboa. António Souto, 47 anos, Português e Francês,
secundário
Esforçar-me por varrer da educação um funesto
conjunto de personagens, que fizeram da arrogância
incompetente o seu modus operandi. Octávio
Gonçalves, 45 anos, Fil, Psic, sec.
A Escola só pode melhorar com o poder dos
professores e alunos, vou centrar-me no incentivo a
acções de produção de conhecimento. José M. Alves,
54 anos, Port, sec.
Vou fazer o que sempre fiz: Trabalhar para ajudar a
aprender e para alimentar uma aurora em cada aluno.
Aristides M. Sousa, 42 anos, Líng. Portuguesa, 3.º
CEB
Vou solicitar autorização junto do Ministério da
Educação para que possa cumprir a minha vocação de
professor. Rui Ferreira, 41 anos, Ed. Fís, 3.º CEB e
sec.
Fazer o contrário do que a equipa ministerial
pretende: ensinar Literatura, conduzindo os alunos
ao sucesso real nos exames. Fátima Gomes, 40 anos,
Português, sec.
Neste país e Escola de fantasia, pretendo melhorar
estatísticas e aprovar, com nota máxima, todos os
alunos!!! João Cristiano Cunha, 34 anos, Educação
Musical, 2.º Ciclo
Fazer da minha sala de aula um espaço de partilha,
onde as palavras de ordem são aprender para crescer.
Delfina Rodrigues, 52 anos, professora de Alemão,
secundário
Evitar que a burocracia inunde o quotidiano,
ajudando os professores menos experientes a
enfrentar o papão da avaliação. Francisco Santos, 52
anos, Ed. Fís., 2.º CEB
Quero ajudar os meus alunos a acreditar que se
trabalharmos unidos seremos capazes de ler, ouvir,
falar e escrever melhor. Luís Ventura, 27 anos, Líng.
Port., 2.º e 3.º CEB
Empenhar-me, com mais força, nas decisões da escola,
no futuro dos alunos e na dignificação da carreira
de professor. Rui Vítor Costa, 43 anos, Química,
secundário
Querem afogar-me em papéis mas vou nadar contra a
corrente para continuar a ensinar e a aprender.
Fernanda Carvalhal, 56 anos, de Matemática,
secundário
Ensinar e educar, utilizando os poucos meios
disponíveis, sacrificando a minha vida familiar,
dando tudo de mim porque adoro os meus alunos. Tiago
S. Carneiro, 33 anos, Ed. Fís., 3º CEB
Vou continuar a trabalhar, contando com a
colaboração dos alunos e encarregados de educação, à
espera de melhorias. M.ª Isabel Gonçalves, 41 anos,
Inglês, 3º CEB
Trabalhar com a mesma dedicação e empenho! A minha
motivação são as crianças e jovens e não as
políticas educativas!!! Dina Félix, 41 anos,
professora do 1.º CEB
Este ano, para melhorar a minha escola, irei
percorrer mais de 120 km diários... José Paulo
Santos, 39 anos, Português e Francês, no 3.º Ciclo e
secundário
Tentar envolver mais os encarregados de educação na
educação, porque é fundamental no sucesso escolar.
Filipe Miguel Araújo, 27 anos, de Mat. e C.Natureza,
2º ciclo
Continuar a ser dedicada, a fazer tudo para melhorar
o ambiente escolar. Voltar a ver professores felizes
é dos meus maiores desejos. Olinda Gil, 45 anos,
Hist., 2º CEB
Vou continuar a lutar, para ajudar a dar tudo a
todas as crianças com quem trabalho. Iris Pais, 33
anos, Ensino Especial/Educação Especial, 1.º e 2.º
CEB
Vou fazer do futuro o presente e acreditar que este
país não é só para alguns. Anália Borges Gonçalves,
50 anos, professora de Francês, secundário
Privilegiar e motivar a descoberta, eis o grande
desafio que se coloca, todos os anos, no exercício
da minha profissão. Ana Romero, 37 anos, Hist. Artes
e Ed. Vis., básico e secundário
Vou pedir aos alunos que sintam e me encham de
orgulho pelo nosso trabalho. Paulo Guinote, 43 anos,
professor de Língua Portuguesa e História, 2º CEB
Vou dar o melhor de mim e procurar o melhor dos
outros, pois "a escola" são as pessoas. António
Jaques, 47 anos, professor de Filosofia, secundário
Revolucionar o ensino com o recurso das novas
tecnologias (http://www.eufisica.com). José
Gonçalves, 32 anos, Ciências Físico-Químicas, 3º CEB
e secundário
Não me conformarei com as pequenas injustiças;
apenas aceitarei as grandes, porque são inevitáveis.
Fernando Oliveira, 42 anos, EVT, 2.º CEB
Vou desenvolver a relação escola/família na minha
Direcção de Turma. Albertina Pereira, 51 anos,
professora de Filosofia, secundário
Dar o meu melhor para o sucesso efectivo dos meus
alunos, em particular, e da escola onde trabalho, em
geral. José António Silva, 41 anos, Ed. Fís., 3.º
CEB
Dar novamente a maior parte das 24 horas de cada dia
à construção do sucesso dos meus alunos. Ana Paula
Almeida, 40 anos, Matemática, 3.º CEB e secundário
Convencer os meus alunos de que só com esforço,
empenho e perseverança conseguimos satisfazer o
nosso ego, alcançando objectivos. Francisca Aires,
40 anos, Mat, 2.º e 3.º CEB
Nada! Este ano não vou poder fazer nada para
melhorar a escola. Devo esclarecer que isso não me
orgulha. É, pelo contrário, muito decepcionante.
João M Maranhão, Inglês
Vou continuar a ensinar as TIC através de projectos
de intervenção/acção, que envolvam e motivem os
alunos. Fernanda Ledesma, 37 anos, Informática, 3.º
CEB e secundário
Ficarei impossibilitada de trabalhar com os meus
alunos, embora com maior disponibilidade para
trabalho pedagógico. Teresa Cunha, 51 anos, LP,
3ºCEB
Dedicar-me aos alunos, ao Clube da Natureza e aos
Jovens Repórteres para o Ambiente. Alexandra
Figueiredo, 42 anos, Física e Química, 3.º CEB e sec.
Este ano tenciono ter muito cuidado com o excesso de
trabalho, reuniões, para aguentar, com saúde física
e psíquica, todos os embates. Gertrudes Santos, 56
anos
Terei que lutar, fazer greve, em defesa da Escola
Pública democrática. António Ramos, 54 anos,
História, secundário
Vou estar ocupada com o processo burocrático e
inadequado da avaliação de professores. Teresa
Ferreira, 42 anos, Matemática, 3º CEB e secundário
No meio do ambiente burocratizado, facilitista,
anti-democrático em que o ministério colocou a
escola pública, vou tentar dar boas aulas. Jorge
Freixial, 46 anos, Ed. Vis., 3.º CEB
Perceber a arte, é também usá-la como instrumento de
intervenção social. Vou estimular a criatividade e
expressão plástica dos alunos. Tânia Sardinha, 33
anos, Art. Vis., 3.º CEB e sec
Esquecer que existem cientistas da educação, grelhas
burocráticas, a transformação da escola numa espécie
de fábrica de parafusos. José R. Costa, 47 anos,
Fil., sec.
Estar aberta às mudanças, pô-las em prática e
contagiar colegas e alunos com o sentimento de que
essas vão melhorar. Maria Urbano, 43 anos, Alemão,
3.º CEB e sec.
Apesar de todos os desmerecimentos e imposições
laterais à minha actividade, procurarei cumprir a
minha verdadeira missão. Ana Magalhães, Geografia,
3º CEB
Este ano vou ignorar a ministra para melhorar a
escola. Maria Barros, 41 anos, 3º ciclo e secundário
Planificar, preparar, dar aulas, preencher papelada
inútil, organizar visitas de estudo e actividades...
Jorge Almeida, 35 anos, Líng.Port., 3.º CEB
Não me deixar enredar pelas teias burocráticas da
avaliação de desempenho e criar espaço mental para
me dedicar aos alunos. Mª Cristina Baptista, 40
anos, Geom. Des.
Continuar a trabalhar com alegria... Pois adoro ser
professora!!! Maria João Rodrigues, 36 anos,
Ciências Naturais 3º CEB
Vou empenhar-me em ensinar civismo e desportivismo
aos meus pequenos alunos! Ana Luísa Esperança, 39
anos, professora de Educação Física do 2º CEB
Aquilo que sempre fiz: SER PROFESSORA! Artemisa
Coimbra, 50 anos, professora
Preocupar-me menos com a instabilidade e procurar
concentrar-me na verdadeira essência do processo
ensino/aprendizagem: os alunos. Avelino Azevedo, 47
anos, Ed. Fís., 3º CEB e sec.
Enquanto o papel de professor não for assimilado
pelo ministério, o que pode melhorar é o aspecto dos
relatórios preenchidos por nós. José Peito, 29 anos,
Físico-Química, 3º CEB
Este ano vou tentar dar, como sempre, o meu melhor
almejando que um dia "alguma coisa" se veja.
Alexandra Baptista, 41 anos, Artes Visuais,
secundário
Nada, pois não consigo descontaminar a escola do
Governo! Paulo Carvalho, 38 anos, professor de
Educação Visual e Tecnológica, 2.º CEB
Uma vez que, mais um ano não tenho escola, vou
procurar uma que me deixe melhorá-la, quer seja nas
AEC's ou mesmo em apoio extra-escolar. Carla Coelho,
25 anos, 1.º ciclo
Dar conhecimentos e ferramentas aos meus alunos para
serem autónomos, respeitadores dos direitos e
livres. Não é tarefa nada pequena! Almerinda Bento,
57 anos, Inglês, 2.º CEB
Ajudar alunos com necessidades educativas especiais
a sentir que fazem parte da sociedade que os rodeia.
Joaquina Jacinto, 43 anos, Apoio Educativo no 2.º e
3.º CEB
Impedir que as trapalhices burocráticas se
transformem em armadilhas pedagógicas. Carlos
Machado, 38 anos, Português, secundário
Como avaliador dos meus colegas, vou pôr engenho e
arte na promoção de uma relação sadia, de recorte
humanista, na escola que quero democrática. Joaquim
Vinhas, 54 anos, História, sec.
Vou continuar a construir blogues. José Neto, 47
anos, professor de Economia, Sociologia, secundário
Vou continuar a ensinar com exigência, humor e
paixão; colaborar com dedicação e resistir aos
"embates" sem muita frustração!... Cristina Félix,
45 anos, LP, 2º CEB
Este ano, como em todos, vou
dar o melhor de mim porque o saber passa através da
ternura. Ana Paula Baptista, 43 anos, professora de
Inglês, 2º ciclo
Continuarei a dar o meu melhor, mas sinto que as
minhas energias serão consumidas no processo
burocrático da avaliação de 91 docentes. E.Videira,
57 anos, Mat. e CE, sec
Desburocratizar... Alexandre Santos, 30 anos,
professor de Educação Visual e Tecnológica, 2ºciclo
Participar no Processo de Avaliação/Formação dos
Colegas. Sá Couto, 56 anos, professor de Filosofia,
secundário
Vou fazer tudo para ter muito boa nota pois para o
ministério isso fará a escola boa! Pronto! Maria do
Rosário Vilaça, 49 anos, História, 3.º CEB e
secundário
Resistir, resistir e resistir; para que os alunos
saibam que a democracia e a liberdade é um tesouro
que nos foi legado como herança. António D. Morais,
48 anos, Mat. e CN, 2º CEB
Lutarei pela criação de condições que permitam a
formação de seres pensantes e com capacidade de
amar, contra a escola dos robôs. Carmelinda Pereira,
60 anos, 1.º CEB
Concentrar-me-ei na desconstrução do modelo de
avaliação do desempenho docente e do Governo, em
geral - por uma escola melhor! Margarida Correia, 43
anos, Port, sec
Vou fazer o que sempre fiz e mais: lutar, com todas
as células, para derrubar esta política educativa e
os seus macabros protagonistas! Luís Costa, 48 anos,
Port e Fran, 2.º e 3.º CEB e sec
Quero introduzir um novo método que estimule o
espírito crítico dotando as crianças de defesas
contra a banalidade e o senso comum. Helen Ratcliffe,
29 anos, educadora de infância
Este ano vou dar aulas como sempre, mas vou ter que
engolir muito mais "sapos" vivos a bem da nação.
Luísa Lopes, 53 anos, Port e Fran, 3º CEB e
secundário
O mesmo de sempre, tendo em conta que a escola é o
local onde se educa. Ana Trino Gonçalves, 44 anos,
1.º ciclo