Correio da Manhã
- 28 Set 06
Parlamento -
primeiro-ministro sobre ideias do PSD
Proposta
Titanic
Ana Patrícia Dias/Cristina Rita
O debate mensal no Parlamento prometia ser
fracturante e Governo e oposição confirmaram-no. O
primeiro-ministro, José Sócrates, usou expressões
como “proposta Titanic”, “embuste”, e o líder do PSD
falou em “remendo” na caracterização das propostas
sobre a reforma da Segurança Social.
Sem grandes
novidades, o chefe do Executivo concentrou-se nos
ataques às ideias sociais-democratas, assegurando
que estas iriam custar ao Estado, no prazo de 30
anos, 100 mil milhões de euros, no mínimo.
Marques Mendes refutou a acusação e apresentou as
contas feitas pelo partido: o período de transição
custaria nove mil milhões de euros. E ripostou:
“Convém recordar que os especialistas já disseram
que a manter-se o modelo que o Governo pretende, o
saldo negativo acumulado, ao longo dos próximos 30
anos, será de cerca de 100 mil milhões de euros.”
Outro dos pontos de discórdia entre Governo e PSD é
o modelo de capitalização obrigatória. José Sócrates
levou, até, um trunfo na manga, ao reler um
relatório, encomendado pelo Governo de Durão Barroso
em 2003, sobre o sistema complementar obrigatório.
“Uma escolha inadequada da carteira de títulos pode
ter, como consequência, uma pensão reduzida”, citou
Sócrates.
“Esta é verdadeiramente a proposta Titanic, porque
em primeiro lugar significaria afundar o barco (...)
e os únicos que se salvam são os da primeira
classe”, concluiu. Só mais tarde, o PSD tentou
reagir, através de Pais Antunes, ao sublinhar que
Sócrates não tinha lido as conclusões.
O debate continuou animado com a polémica levantada
pelo CDS por causa de alegados despedimentos na
Blaupunkt, e Sócrates assinalou que a empresa iria
desmentir esse facto.
Jerónimo de Sousa disse mesmo que as ideias do PS
eram “uma nódoa”. Francisco Louçã apontou ainda as
“más notícias” de despedimentos por encerramento da
Jonhson Controls.
FIM DAS REGALIAS NAS SECRETAS
O primeiro-ministro, José Sócrates, assegurou ontem
que irá acabar com as regalias do secretário-geral
do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP)
e dos directores dos serviço de informações
portugueses SIS e SIEP, depois de ter sido
confrontado pela deputada do partido ecologista ‘Os
Verdes’ Heloísa Apolónia com as “regalias
inexplicáveis” das chefias das secretas, como a casa
mobilada e as ajudas de custo. “As regalias são uma
novidade para mim. Mas tomei nota e estou disponível
para acabar com isso. Tudo o que não serve para a
melhoria de funções não se justifica”, disse José
Sócrates. Isto, depois da proposta de lei do Governo
sobre a nova orgânica do secretário-geral do SIRP,
onde estão previstas as regalias, ter sido aprovada
na Assembleia da República no passado dia 15. Na
ocasião, o ministro da Presidência, Pedro Silva
Pereira, confrontado com as regalias previstas no
diploma, respondeu aos deputados do BE e do PCP, que
se tratava apenas de dar o mesmo “estatuto” dos
directores do SIS e do SIEP ao secretário-geral do
SIRP, cargo ocupado actualmente por Júlio Pereira.
FRASES FORTES
Verdadeiramente é uma proposta [do PSD] Titanic,
porque em primeiro lugar isto significa afundar o
barco e pôr em causa o equilíbrio da Segurança
Social. Mas é a proposta Titanic por uma outra
razão, é que não se trata apenas de afundar o barco,
trata-se também de que os únicos que se salvam são
os da primeira classe.
José Sócrates, primeiro-ministro
A lógica do cada um por si, [Marques Mendes] teria
de dizer olhos nos olhos para o seu pai: “Eu não
quero pagar a sua reforma.” E para o seu filho: “Não
quero que pagues a minha reforma.”
idem
“Eu entendo-o. Tem um congresso à porta, alguma
esquerda à perna [José Sócrates] e por isso está
refém.
Marques Mendes, líder do PSD
O Parlamento não é um estúdio de Televisão. (...)
Este foi o discurso mais fraco. (...). Você [José
Sócrates] já não se considera o melhor socialista do
País, mas também o melhor primeiro-ministro da
Europa.
Pedro Mota Soares, deputado do CDS-PP