Portugal Diário
- 27 Set 06
Sócrates acusa PSD de fabricar proposta Titanic
Reforma da Segurança Social: Governo «obcecado» com
modelo «laranja»
No debate mensal sobre a
Segurança Social, José Sócrates passou mais tempo a
criticar a proposta do PSD do que a falar das
reformas que pretende implementar.
O primeiro-ministro acusou, esta
quarta-feira no plenário da Assembleia da República,
o partido principal da oposição de «demagogia
irresponsável». Sócrates classificou o projecto do
PSD de ser uma proposta «Titanic», de «um barco que
se vai afundar».
O sistema misto proposto pelo
partido liderado por Marques Mendes «não garante o
aumento das pensões. Pelo contrário, ameaça o valor
das pensões e o que garante é a total incerteza
quanto à protecção social na velhice», afirmou
Sócrates.
Em resposta, Marques Mendes,
referiu que este foi o primeiro discurso parlamentar
em que o primeiro-ministro passou a maioria do tempo
a falar do projecto do PSD. «Quero agradecer a
importância que deu à proposta do partido
social-democrata», disse. «O senhor está
preocupado», acrescentou.
O líder «laranja» aproveitou para
concretizar mais alguns aspectos do seu projecto. «O
montante dos descontos que será afecto a uma conta
individual de cada trabalhador é de 6 por cento»,
anunciou Marques Mendes.
Em relação à reforma da Segurança
Social proposta pelo Governo, o primeiro-ministro
fez questão de reafirmar os elementos essenciais da
sua reforma, entre eles, o ajuste do sistema à
evolução da esperança de vida; a criação de uma nova
fórmula de cálculo das pensões «mais justa»; a
fixação na lei de regras responsáveis para a
actualização anual do valor das pensões; o
estabelecimento de um limite para as pensões mais
altas; a valorização das carreiras contributivas
mais longas e o incentivo às poupanças voluntárias,
nomeadamente através de um novo regime público
complementar de contas individuais.
E é precisamente em relação a
este último aspecto da reforma que reside o
principal ponto de discórdia com o PSD. Sócrates
acusa os sociais-democratas de defenderem um modelo
«obrigatório» de transferência de um terço ou mais
das contribuições para um sistema de contas
individuais de capitalização a ser gerido por
instituições públicas ou privadas. «Não há que ter
vergonha das palavras: a proposta [do PSD] é mesmo
privatizar parcialmente a segurança social», disse o
primeiro-ministro.
Marques Mendes refutou a acusação
de estar a propor um modelo «obrigatório», frisando
que «não há que ter medo da liberdade de decisão». O
líder do PSD afirmou ainda que António Vitorino já
veio explicar que o modelo misto não tem nada a ver
com a privatização.
Reforma da Segurança Social em
vigor em Janeiro
Sócrates anunciou que as leis que
derivam da proposta do Governo serão apresentadas no
Parlamento em Outubro, de modo a poderem ser votadas
até ao final do ano e a poderem entrar em vigor em
Janeiro de 2007.
O primeiro-ministro mostrou-se
orgulhoso da sua reforma, frisando que «nenhum
Governo ousou fazer tanto em tão pouco tempo».
Sócrates afirmou que «quem, em Janeiro de 2007,
olhar para o nosso sistema de segurança social não
reconhecerá o antigo».
A perspectiva do PSD é bem
diferente. «A sua proposta só resolve problemas a
curto prazo. É um remédio e não uma reforma»,
afirmou Marques Mendes. O social-democrata
aproveitou para fazer um paralelo entre a reforma
apresentada pelo Governo e a reforma de António
Guterres, «que ia assegurar a Segurança Social
durante 100 anos». Mas «foram só 5 anos. Só se
enganaram em 95 anos. Que farão agora se as pessoas
são as mesmas?», questionou Marques Mendes.