Público online
- 27 Set 06
Debate mensal no Parlamento
Sócrates: projecto do
PSD para a Segurança Social é "irresponsável e
inexequível"
O primeiro-ministro lançou hoje um ataque cerrado
ao projecto do PSD para a reforma da Segurança
Social, que considera "completamente irresponsável e
inexequível", afirmando que a sua concretização
resultaria numa dívida máxima de 135 mil milhões de
euros nos próximos 30 anos.
"A única forma de fazer um
debate sério sobre Segurança Social é com as contas
em cima da mesa. Contas em cima da mesa", acentuou
Sócrates, dirigindo-se sobretudo à bancada
social-democrata, no decorrer do debate mensal no
Parlamento, depois de ter recordado que as
principais linhas da sua proposta de reforma foram
apresentadas há cinco meses.
No seu discurso, salientou que o Governo rejeita a
privatização do sistema público, mas "não tem nada
contra um sistema de prestações complementares na
velhice".
"O que não aceitamos é que o sistema de
capitalização seja imposto e viabilizado à custa do
equilíbrio financeiro do sistema público de
Segurança Social e dos valores de solidariedade que
lhes estão subjacentes e em nome dos quais foi
criado", frisou.
Referindo-se directamente ao projecto do PSD,
Sócrates classificou-o como "completamente
irresponsável e inexequível".
"Se seis a oito pontos percentuais das contribuições
dos actuais trabalhadores com menos de 35 anos
fossem desviadas para contas individuais, o sistema
público acumularia uma dívida, em 30 anos, antes de
qualquer redução de despesas, entre 100 mil e 135
mil milhões de euros", sustentou o
primeiro-ministro.
Segundo Sócrates, tal "significaria que 35 a 47 por
cento do Produto Interno Bruto acresceria à dívida
pública - a não ser que alguma receita mágica
existisse para este período de transição".
José Sócrates acabou por aproveitar as críticas do
líder parlamentar socialista, Alberto Martins, à
proposta de reforma da Segurança Social
social-democrata para apelidá -la de "proposta
Titanic".
"Esta é a proposta Titanic, porque em primeiro lugar
significaria afundar o barco, pôr em causa o
equilíbrio da Segurança Social e também porque os
únicos que se salvam são os da primeira classe.
Esses sim, esses vão salvar-se", disse, aplaudido
pela bancada socialista.
O primeiro-ministro apontou o exemplo do Chile,
dizendo que depois da a dopção de um sistema misto
"o Estado teve de socorrer novamente os que têm
pensões de miséria" e sugeriu que há defensores
desse modelo que têm um "conflito de interesses".
Ressalvando não ser o caso de ninguém presente no
plenário nem do PSD, que "está a pensar no interesse
nacional", José Sócrates afirmou que "seria bom
conhecer os interesses e quem paga os ordenados de
alguns dos que participam em colóquios" em nome do
sistema misto.