Portugal Diário
- 24 Set 06
Aborto: ministro acusado de
«cegueira»
Associação de Famílias Numerosas pede demissão de
Correia de Campos
A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN)
pediu este domingo a demissão do ministro da Saúde,
acusando-o de «falta de bom-senso» por defender a
despenalização do aborto e querer incentivar os
hospitais a praticá-lo, de acordo com a lei.
Em causa está uma entrevista de Correia de Campos à
agência Lusa, na semana passada, na qual o ministro
considerou muito reduzido o número de abortos
praticados no Serviço Nacional de Saúde, cerca de
mil por ano, o que atribuiu à «relutância» de
médicos, enfermeiros e administrativos do sector.
Na entrevista, Correia de Campos afirmou que irá
fazer campanha a favor da despenalização da
interrupção voluntária da gravidez no referendo,
cuja realização deverá ser aprovada no Parlamento a
19 de Outubro, e adiantou que o aborto poderá vir a
ser praticado no sector privado convencionado, à
semelhança do que acontece em Espanha.
Para a APFN, as declarações do ministro revelam
«cegueira e falta de senso», uma vez que o aumento
do número de abortos vai reduzir a «dramática» taxa
de natalidade em Portugal, «financiando o gigantesco
negócio das clínicas abortivas», através de
dinheiros públicos.
«Enquanto o primeiro-ministro está profundamente
preocupado com a baixa natalidade, o ministro da
Saúde está preocupado com o baixo número de abortos.
É um ministro que não está em sintonia com o Governo
e tem, por isso, de ser substituído», disse à
agência Lusa o presidente da APFN, Fernando Castro.
O PS entregou a 15 de Setembro, no Parlamento, uma
nova proposta de referendo sobre o aborto, no qual
se propõe perguntar aos portugueses se concordam com
a «despenalização da interrupção voluntária da
gravidez (IVG), se realizada, por opção da mulher,
nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de
saúde legalmente autorizado».
A maioria parlamentar socialista garante a aprovação
da proposta de referendo, agendada para o dia 19 de
Outubro, e espera que, ao contrário do que aconteceu
em 2005, esta seja convocada pelo Presidente da
República, Cavaco Silva.
De acordo com a lei portuguesa, o aborto não é
punível se realizado com a supervisão de um médico e
em estabelecimento de saúde autorizado nos seguintes
casos: a gravidez representar perigo de morte ou de
lesão grave e duradoura para a saúde física e
psíquica da mulher e for realizado até às 12 semanas
de gestação, em caso de malformação congénita ou
doença incurável do feto e for realizado até às 24
semanas de gravidez e em caso de violação da mulher,
devendo a IVG ser feita até às 16 semanas de
gestação.