“Uma lição importante que Joe
Oringel aprendeu na Wharton School foi: sai do escritório às 18h30 para
jantar em casa com a família”. Oringel, casado e com três filhos,
brilhante trabalhador de uma empresa, aplica o que lhe foi ensinado: “A
minha família é importante e por isso arranjo tempo para ela a meio do
dia, entre reuniões de trabalho”. A Wharton School (Universidade da
Pensilvânia), de onde saíram célebres "gurus" do trabalho como Donald
Trump ou Warren Buffett, implantou há três anos um curso para ensinar os
alunos a conciliar profissão, família e relações sociais sem prejuízo da
sua carreira. Esta disciplina, que é optativa, goza de grande aceitação.
O professor que a lecciona, Stewart Friedman, ex-executivo da Ford,
explica que o curso pretende que os alunos aprendam a atender a todos os
aspectos da sua vida, de modo a que sejam mais eficientes, não só no
trabalho, mas também no seu lar familiar e na esfera social. Para isso
ensina-os a ir passo a passo: “Faz um inventário do que é importante no
trabalho e no âmbito pessoal, conquista o apoio dos chefes e dos
familiares que acreditam nesses objectivos e tenta encontrar a melhor
maneira de alcançá-los a todos”.
O caso da Wharton School não é único. A Harvard Business School começou
a oferecer cursos semelhantes no programa para executivos, apesar de não
o fazer no MBA. Outras escolas de negócios, como a do MIT e a da
Universidade de Connecticut, juntaram-se a esta tendência.
A razão, explica Robertson, é que “muitos profissionais dos negócios
dizem estar sobrecarregados de trabalho e que gostariam de ter mais
tempo para a sua vida pessoal”. Jen Jorgensen, porta-voz da Society
for Human Resources Management, afirma que a nova geração de
empregados dá mais importância ao equilíbrio entre trabalho e família.
Segundo esta sociedade, actualmente 60% das empresas dos EUA oferece
horários flexíveis, e um terço permite aos seus empregados a tempo
inteiro opções como trabalhar à distância ou trabalhar apenas uma parte
do dia de vez em quando.
Tais medidas constituem, aliás, uma boa política de recursos humanos.
“Há cada vez mais provas de que as empresas não lucram necessariamente
mais com os empregados que passam mais tempo no emprego. Segundo um
estudo de 2003, realizado pelo Families and Work Institute, os
executivos que trabalhavam cinco horas semanais a menos estavam mais
satisfeitos e eram mais produtivos do que os que trabalhavam mais
horas”.
Não obstante, outros estudos indicam que os norte americanos trabalham
mais do que antigamente. Para Bonnie Michaels, a presidente da
Management for Work and Family, uma consultoria de Chicago, isso deve-se
à “pressão imposta pelo medo de perder o posto de trabalho ou por uma
cultura empresarial que continua insistindo tacitamente numa prolongada
presença no escritório, férias curtas e longos dias de trabalho”.