Famílias numerosas aplaudem tarifa
especial
João Correia diz que Câmara de Lobos deveria ser um exemplo
a seguir
A decisão da edilidade câmara-lobense de adoptar uma tarifa
especial para as famílias numerosas é vista com agrado pelo
presidente da delegação regional da Madeira da Associação
Portuguesa de Famílias Numerosas. João Correia diz mesmo que
a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, nesse domínio, é um
exemplo a seguir. Neste momento, os membros da associação
têm benefícios em algumas autarquias do país, bem como em
empresas privadas, que promovem descontos especiais.
O presidente da delegação regional da Madeira da Associação
Portuguesa de Famílias Numerosas, João Correia, aplaude a
decisão da Câmara Municipal de Câmara de Lobos.
De acordo com João Correia, a Associação Portuguesa de
Famílias Numerosas vê com agrado esta decisão da Câmara
Municipal de Câmara de Lobos e considera que este é um
exemplo a seguir por outras autarquias.
Neste momento, de acordo com João Correia, as famílias
numerosas portuguesas contam já com alguns benefícios,
sobretudo, ao nível das empresas particulares, em
praticamente todos os ramos de actividade.
Ao nível dos apoios do Estado às famílias numerosas, João
Correia diz que essa tem sido uma das grandes lutas da
Associação Portuguesa de Famílias Numerosas. Contudo, até ao
momento, o retorno tem sido praticamente nulo.
Po isso, insistiu João Correia, «felicitamos o facto de
algumas autarquias começarem a aderir a esta proposta», no
sentido de proporcionar um tarifário mais acessível para as
famílias numerosas.
Peços acessíveis
para as famílias
Além da tarifa especial na factura da água, a campanha da
APFN denominada Autarquias Amigas da Família 2005 apela
ainda à criação de um bilhete de família para actividades
culturais, desportivas ou recreativas dependentes
directamente, ou por concessão da autarquia, em que o seu
valor não exceda o custo de quatro entradas,
independentemente do número de filhos.
A par disso, a APFN pretende ainda «estimular, para os
transportes públicos, um tratamento análogo ao bilhete de
família com a criação do passe familiar de fim-de-semana».
Outra das metas a que se propõe a APFN é a de «diligenciar
junto do Governo no sentido de os apoios financeiros nas
actualizações das rendas habitacionais terem em conta o
rendimento per capita do agregado familiar», bem como
«diligenciar junto do Governo para corrigir o IMI e o IMT
com o valor de área per capita do agregado familiar, visando
a equidade fiscal».
«Estimular as parcerias de pais, professores e entidades
locais com vista à criação de actividades de tempos livres,
desporto e de salas de estudo orientado, a custos
suportáveis, potenciando a plena utilização das
instalações», é outro dos objectivos da APFN, bem como
«fomentar o apoio domiciliário aos fragilizados, de
iniciativa própria ou apoiando iniciativas locais, em
articulação com os cuidados de higiene e saúde, estimulando
o voluntariado e as relações de vizinhança».
Por outro lado, pretende ainda «divulgar nos meios de
comunicação da autarquia todos os apoios que são dados à
família e facilitar a sua consulta» e «garantir nos
projectos urbanísticos a humanização dos espaços com
facilidade nos acessos, fixação de uma percentagem de fogos
para famílias numerosas, infra-estruturas de serviços,
cultura e recreio».
Por último, a APFN pretende também «incentivar a formação
conjugal e parental, como insubstituível numa sã educação
das crianças e jovens, apoiando e estimulando as Escolas de
Pais».
Défice crescente de nascimentos em Portugal
De acordo com a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas,
«desde 1982, Portugal tem vindo a apresentar um crescente
défice de nascimentos, actualmente de 50.000 por ano, o que
eleva este défice a 880.000 crianças e jovens, motivo pelo
qual têm vindo a ser anunciadas inevitáveis alterações ao
sistema de reformas, mas sem que, inexplicavelmente, sejam
adoptadas medidas de apoio aos casais com filhos, para que
possam ter os filhos que desejem sem serem penalizados por
isso, a não ser que se divorciem ou se separem, conforme
queixa já apresentada ao Provedor de Justiça».
A queixa, apresentada em Junho do corrente ano, tem a ver,
segundo a APFN, com a «flagrante injustiça e penalização dos
pais casados, a fim de que estes possam efectuar esses
descontos sem terem de se separar judicialmente ou
divorciar-se».
Marsílio Aguiar