Público Última hora - 24 Out 07
Portas espera que Cavaco trave diploma
CDS-PP: novo estatuto do aluno é um "erro
histórico"
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, classificou o novo
estatuto do aluno, hoje aprovado na especialidade,
como "um erro histórico" e deixou um apelo implícito
ao Presidente da República, Cavaco Silva, para que
trave o diploma.
"O CDS-PP fará o que estiver ao seu alcance para que
este diploma não seja aprovado e promulgado (...)
Não apenas votaremos contra, como tentaremos
explicar o que está em causa e acreditamos que
alguém possa travar este estatuto se vier a ser
aprovado tal como está", afirmou Paulo Portas, em
conferência de imprensa, no Parlamento.
Questionado se se referia ao Presidente da
República, Paulo Portas acenou afirmativamente e,
sem mencionar o chefe de Estado, fez um comentário
lacónico em francês ("cela va sans se dire"),
alegando ser desnecessário referir o nome do
Presidente.
"Não acredito que uma pessoa responsável que saiba
que um sistema de ensino tem de promover o mérito e
o esforço (...) possa aprovar uma disposição como
esta", considerou o líder do CDS-PP.
O novo estatuto do aluno do ensino básico e do
secundário foi hoje aprovado na especialidade na
Comissão de Educação, apenas com os votos favoráveis
da maioria socialista.
CDS-PP critica regime de faltas
A principal objecção do CDS-PP ao diploma prende-se
com o regime de faltas, com Paulo Portas a lamentar
que "deixe de existir diferença entre faltas
justificadas e injustificadas" e que os alunos
deixem de poder ser retidos, como acontece
actualmente, quando excedem o limite de faltas não
justificadas.
"O PS considera igual, dá igual tratamento a um
aluno que falta porque está doente e um aluno que
falta porque faz gazeta", criticou também Paulo
Portas.
"É completamente incompreensível que o
primeiro-ministro [José Sócrates] ande todos os dias
na televisão a dizer que o principal problema do
país é a produtividade e depois o sinal que o seu
Governo dá na escola é que a produtividade não
interessa e a assiduidade não é relevante", disse o
líder democrata-cristão.
No actual regime de faltas, explicou Portas, quando
um aluno dá metade das faltas injustificadas os
encarregados de educação são chamados à escola e
quando excede esse limite de faltas injustificadas
"ou é retido ou fica excluído".
"Na prática deixa de haver limite de faltas"
"Se este estatuto for aprovado, na prática deixa de
haver limite de faltas porque não há consequência
para o aluno que excede o limite de faltas. Quando
não há consequência não há motivação para a
assiduidade", considerou Portas.
A proposta do PS hoje aprovada prevê que os pais
sejam avisados logo à primeira falta injustificada e
que a escola aplique uma medida correctiva ao aluno.
Quando o aluno atinge um número de faltas
(justificadas e injustificadas) correspondente a
duas semanas, no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao
dobro do número de tempos lectivos semanais, por
disciplina, nos restantes ciclos ou níveis de
ensino, os pais ou encarregados de educação são
convocados à escola.
Ainda de acordo com a proposta socialista, quando o
aluno atinge um número de faltas (justificadas e
injustificadas) correspondente a três semanas, no
1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo do número
de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos
restantes ciclos ou níveis de ensino, o aluno
realiza uma prova de recuperação organizada pela
escola.
"Forçar a escola a passar o aluno em qualquer
circunstância"
"Os deputados do CDS perguntaram o que acontece se
não houver aprovação nessa prova. Ninguém conhece a
consequência, isto significa forçar a escola a
passar o aluno em qualquer circunstância", alertou
Paulo Portas, comparando este novo estatuto "às
passagens administrativas de 75".
De acordo com o artigo 22º do novo estatuto,
"compete ao conselho de turma ou ao professor
titular de turma definir, no âmbito dos critérios de
avaliação, o tipo de prova e os efeitos decorrentes
da sua realização no aproveitamento global do aluno
e no seu percurso escolar".
O mesmo artigo prevê ainda que se o aluno voltar a
atingir os mesmos níveis de faltas possa realizar
nova prova de recuperação. "Se este regime vier a
vigorar, transforma-se o professor num funcionário
de recuperação e o aluno numa pessoa sobre a qual
não recai o dever de ir às aulas", disse ainda Paulo
Portas.
Lusa