Público - 23 Out 07
Juntos pela Vida diz que "verdadeiro
aconselhamento não está a ser realizado" em
consultas de aborto
Catarina Gomes
A associação Juntos pela Vida afirma que "não está a
ser realizado um verdadeiro aconselhamento" às
mulheres que se deslocam aos serviços de saúde para
fazer interrupções voluntárias da gravidez, afirma o
seu secretário-geral, António Pinheiro Torres. É uma
das críticas que hoje é feita numa conferência de
imprensa em Lisboa onde o movimento faz o balanço
dos primeiros três meses de aplicação da lei que
despenalizou o aborto por opção da mulher até às dez
semanas.
António Pinheiro Torres considera que o aborto legal
está a ser facilitado, "sem que seja feito esforço
para proporcionar alternativas". Manifesta
preocupação pela forma como o Governo faz um balanço
positivo do processo, dizendo que "tudo está a
correr bem", quando até agora terão sido feitos
cerca de três mil abortos. O responsável diz que têm
relatos de mulheres que foram aos hospitais e depois
a centros de apoio à vida que dão conta de situações
em não está a ser feito "verdadeiro aconselhamento".
Para António Pinheiro Torres esta é uma consequência
do facto de apenas fazerem parte do processo de
aborto profissionais de saúde para quem o aborto "é
indiferente ou são favoráveis a que se realize".
Referindo-se a relatos na imprensa, António Pinheiro
Torres acrescenta ainda que, tal como previam, "o
aborto ilegal não terminou".
O responsável da Juntos pela Vida nota também que
"há grandes dificuldades na objecção de
consciência", já que nos formulários fornecidos para
os profissionais assinarem têm que dizer que, mesmo
não estando de acordo, têm que encaminhar estas
mulheres para os serviços onde se fazem interrupções
voluntárias da gravidez. "Muitos profissionais
assinaram declarações de objecção individuais". Ao
mesmo tempo afirma que há profissionais que foram
pressionados a não fazerem objecção e fala do caso
de um enfermeiro do Algarve que teve que ser
acompanhado por um advogado.
Como boa notícia assinala o nascimento de "novas
obras de apoio a mulheres com dificuldades",
referindo-se, por exemplo, a um centro de apoio à
vida em Lamego, Évora, Caldas da Rainha e Setúbal,
locais onde não existia a valência.