Cardeais e bispos europeus
reunidos em Fátima manifestaram preocupação com
mudanças na família
Mariana Oliveira
O aumento dos divórcios e das uniões de factos, a
diminuição dos casamentos e o crescimento das
famílias monoparentais e de crianças nascidas fora
do matrimónio são elementos comuns aos países
europeus e das preocupações que motivaram mais
debate no Conselho das Conferências Episcopais da
Europa (CCEE), que começou quinta-feira e terminou
ontem em Fátima, no ano em que se celebram 90 anos
sobre as aparições. O diálogo ecuménico também
esteve em cima da mesa neste encontro.
"Não se trata de não aceitar as crianças por falta
de desejo, pois todas as sondagens de opinião
demonstram que os jovens desejam o matrimónio, a
família e também os filhos. Mas não se sentem
capazes de aceitar os problemas e a responsabilidade
e também as dificuldades económicas e sociais
inerentes a uma família com filhos", sustenta o
presidente da CCEE, o cardeal Peter Erdo, à Agência
Eclesia, da Igreja Católica.
O cardeal Jean Pierre Ricard, da França e
vice-presidente do CCEE, sublinha "a necessidade de
uma coragem civil para fazer valer o ideal de um
matrimónio cristão, que deve ser reforçado na
sociedade". "Hoje a Igreja na Europa reafirma que o
futuro da sociedade europeia passa pela família. Se
a perder, perderá o seu futuro", apontou, citado
pela Eclesia.
O presidente da CCEE acredita que a vocação humana é
para a "estabilidade e é essa estabilidade que
permite a fundação da família". No entanto,
constata, a tendência é viver junto sem formalizar
laços, o que, diz, "não é ideal para a estabilidade
da vida".
Para o presidente da Conferência Episcopal
Portuguesa, D. Jorge Ortiga, são "a globalização e o
laicismo" que estão "a permear as famílias no
contexto europeu". D. Jorge Ortiga entende que o
encontro permitiu concluir ser necessário, para,
salvar o futuro da Igreja e da sociedade, "um
investimento muito maior na família".
A par do tema, a CCEE discutiu ainda o ecumenismo.
"É muito necessário os países da Europa Ocidental
estarem em contacto com os ortodoxos e perceber
também as complexidades das suas Igrejas", afirma o
secretário da Conferência Episcopal de Inglaterra e
País de Gales.
Durante os trabalhos foi aprovada a entrada das
Conferências do Principado do Mónaco e da Moldávia
na CCEE, que passa de 34 para 36 membros.