Jornal da Madeira.pt  - 09 Out 05

Fortes medidas de apoio

Sociólogo Fernando Oliveira defende para que nasçam mais crianças em Portugal

Para que os portugueses comecem a sentir mais vontade de ter filhos, são necessárias medidas de incentivo profundas. É que, actualmente, os encargos com uma criança são mais que muitos e a vida está cara pelo que a maioria dos candidatos a pais, pensam duas vezes antes de decidirem dar continuidade à renovação de gerações.

O sociólogo Fernando Oliveira afirma ao JORNAL da MADEIRA que são necessárias medidas profundas que incentivem à fecundidade. Para este responsável, a atribuição de um subsídio por parte de junta não é o suficiente para inverter o actual índice de natalidade em Portugal que atingiu, no passado, um valor mínimo, o que veio a acentuar ainda mais, a tendência de envelhecimento da população. Este responsável diz que as políticas para inverter o problema terão de ser mais profundas, passando por aplicação de isenções fiscais, apoios na aquisição de habitação, entre outras.

Fernando Oliveira afirma que a actual situação em que se encontra o país e até mesmo toda a Europa já se previa há cerca de 15 ou 20 anos. Mas enquanto outros países tomaram algumas medidas no sentido de atenuar o problema, Portugal ficou à espera que a situação se agravasse e ainda não avançou com qualquer posição que possa vir a alterar a tendência cada vez maior de envelhecimento da população. O sociólogo diz que o facto de os jovens estarem a adiar, cada vez mais, a decisão de constituir família tem a ver com vários problemas, muito em particular com a situação profissional e com os problemas económicos. Mas Fernando Oliveira diz que o envelhecimento da população portuguesa não tem unicamente a ver com a baixa natalidade mas também com o facto de a esperança de vida ter aumentado significativamente. Actualmente, a franja mais velha da população ultrapassa em 140 mil, o grupo dos mais novos.

Fernando Oliveira teme que qualquer medida que venha a ser tomada nos dias que correm, venha muito tarde. O sociólogo entende que o problema já está instalado pelo que será difícil fazer com que o índice de natalidade de 2,1 filhos por mulher o valor mínimo para a renovação das gerações se concretizar volte a registar-se. É que os últimos indicadores demográficos do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam um índice sintético de fecundidade abaixo de 1,4.

Quem também já veio a público demonstrar a sua preocupação com a baixa natalidade em Portugal, foi a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, a qual fez as contas e concluiu que em 2004, nasceram menos 55 mil bebés do que era preciso para a renovação geracional. A natalidade só aumentou nas faixas etárias mais elevadas (designadamente a partir dos 40 anos), embora com números pouco expressivos no total.

A idade média da mulher ao nascimento do primeiro filho é de 27,5 anos.

Jovens valorizam família

O coordenador da Juventude Dehoniana, padre Juan Noite, considera que, apesar de adiarem a decisão de terem descendentes, os jovens continuam a valorizar a família. O que acontece, segundo aquele representante de um movimento de jovens da Região, é que, nos dias que correm, há outras coisas que surgem em primeiro lugar. Antes da constituição de família, é necessária uma base sólida, explica.

No entender do padre Juan Noite, agora, um jovem, antes de constituir família, tem de pensar em muitas coisas, como acabar os estudos, arranjar casa.

Ter um filho não é algo que se faça de ânimo leve. Se não há uma base já consolidada, é dificil arcar com a responsabilidade, sublinha o coordenador da Juventude Dehoniana.

O padre Juan Noite é de opinião que houve uma mudança tão significativa na sociedade que levou a que homens e mulheres apresentem e tenham mesmo várias justificações para o não garante da renovação das gerações. É preciso ver que, nos dias que correm, as mulheres não ficam em casa a cuidar dos filhos. Têm as suas profissões. Para além disso, pagar uma casa, uma creche, alimentos e roupas sai muito caro. Os jovens ganham, na sua maioria, muito mal, o que os leva a pensar várias vezes se dão esse passo, recorda o coordenador da Juventude Dehoniana.

Este fenómeno da baixa natalidade estende-se a toda a Europa, conforme opina o padre Juan Noite, o qual não critica, de maneira nenhuma, a atitude dos nossos jovens uma vez que, antes de se constituir uma família, é preciso pensar onde viver, se se vai ter dinheiro para alimentar as crianças, se se tem uma família sólida, entre outras coisas.

Carla Ribeiro

 

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