Fortes
medidas de apoio
Sociólogo Fernando Oliveira defende para que
nasçam mais crianças em Portugal
Para que os portugueses comecem a sentir
mais vontade de ter filhos, são necessárias
medidas de incentivo profundas. É que,
actualmente, os encargos com uma criança são
mais que muitos e a vida está cara pelo que
a maioria dos candidatos a pais, pensam duas
vezes antes de decidirem dar continuidade à
renovação de gerações.
O sociólogo Fernando Oliveira afirma ao
JORNAL da MADEIRA que são necessárias
medidas profundas que incentivem à
fecundidade. Para este responsável, a
atribuição de um subsídio por parte de junta
não é o suficiente para inverter o actual
índice de natalidade em Portugal que
atingiu, no passado, um valor mínimo, o que
veio a acentuar ainda mais, a tendência de
envelhecimento da população. Este
responsável diz que as políticas para
inverter o problema terão de ser mais
profundas, passando por aplicação de
isenções fiscais, apoios na aquisição de
habitação, entre outras.
Fernando Oliveira afirma que a actual
situação em que se encontra o país e até
mesmo toda a Europa já se previa há cerca de
15 ou 20 anos. Mas enquanto outros países
tomaram algumas medidas no sentido de
atenuar o problema, Portugal ficou à espera
que a situação se agravasse e ainda não
avançou com qualquer posição que possa vir a
alterar a tendência cada vez maior de
envelhecimento da população. O sociólogo diz
que o facto de os jovens estarem a adiar,
cada vez mais, a decisão de constituir
família tem a ver com vários problemas,
muito em particular com a situação
profissional e com os problemas económicos.
Mas Fernando Oliveira diz que o
envelhecimento da população portuguesa não
tem unicamente a ver com a baixa natalidade
mas também com o facto de a esperança de
vida ter aumentado significativamente.
Actualmente, a franja mais velha da
população ultrapassa em 140 mil, o grupo dos
mais novos.
Fernando Oliveira teme que qualquer medida
que venha a ser tomada nos dias que correm,
venha muito tarde. O sociólogo entende que o
problema já está instalado pelo que será
difícil fazer com que o índice de natalidade
de 2,1 filhos por mulher o valor mínimo para
a renovação das gerações se concretizar
volte a registar-se. É que os últimos
indicadores demográficos do Instituto
Nacional de Estatística (INE) revelam um
índice sintético de fecundidade abaixo de
1,4.
Quem também já veio a público demonstrar a
sua preocupação com a baixa natalidade em
Portugal, foi a Associação Portuguesa de
Famílias Numerosas, a qual fez as contas e
concluiu que em 2004, nasceram menos 55 mil
bebés do que era preciso para a renovação
geracional. A natalidade só aumentou nas
faixas etárias mais elevadas (designadamente
a partir dos 40 anos), embora com números
pouco expressivos no total.
A idade média da mulher ao nascimento do
primeiro filho é de 27,5 anos.
Jovens valorizam família
O coordenador da Juventude Dehoniana, padre
Juan Noite, considera que, apesar de adiarem
a decisão de terem descendentes, os jovens
continuam a valorizar a família. O que
acontece, segundo aquele representante de um
movimento de jovens da Região, é que, nos
dias que correm, há outras coisas que surgem
em primeiro lugar. Antes da constituição de
família, é necessária uma base sólida,
explica.
No entender do padre Juan Noite, agora, um
jovem, antes de constituir família, tem de
pensar em muitas coisas, como acabar os
estudos, arranjar casa.
Ter um filho não é algo que se faça de ânimo
leve. Se não há uma base já consolidada, é
dificil arcar com a responsabilidade,
sublinha o coordenador da Juventude
Dehoniana.
O padre Juan Noite é de opinião que houve
uma mudança tão significativa na sociedade
que levou a que homens e mulheres apresentem
e tenham mesmo várias justificações para o
não garante da renovação das gerações. É
preciso ver que, nos dias que correm, as
mulheres não ficam em casa a cuidar dos
filhos. Têm as suas profissões. Para além
disso, pagar uma casa, uma creche, alimentos
e roupas sai muito caro. Os jovens ganham,
na sua maioria, muito mal, o que os leva a
pensar várias vezes se dão esse passo,
recorda o coordenador da Juventude Dehoniana.
Este fenómeno da baixa natalidade estende-se
a toda a Europa, conforme opina o padre Juan
Noite, o qual não critica, de maneira
nenhuma, a atitude dos nossos jovens uma vez
que, antes de se constituir uma família, é
preciso pensar onde viver, se se vai ter
dinheiro para alimentar as crianças, se se
tem uma família sólida, entre outras coisas.
Carla Ribeiro