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Jornal de Notícias - 29 Out 04
Estão a cargo das famílias 36% das
nossas crianças
"Bebés e patrões" Estudo da
OCDE apura que a taxa da fertilidade em Portugal é uma das
mais baixas da Europa Relatório
propõe soluções para melhorar cuidados com os mais pequenos
Carlos Gomes
Ataxa de fertilidade em Portugal é uma
das mais baixas da Europa, facto que, a médio prazo, originará
problemas económicos no país, devido à baixa percentagem de
população no activo.
Esta preocupação foi manifestada ontem, em Lisboa, por Mark Pearson
- chefe do Departamento de Política Social (Políticas a favor das
famílias) da OCDE -, durante a apresentação do relatório "Bebés e
Patrões - Como reconciliar trabalho e vida familiar?".
Envolvendo estudos realizados na Nova Zelândia, Portugal e Suiça,
trata-se do terceiro relatório da série "Bebés e Patrões", elaborado
pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos
(OCDE). Um primeiro estudo envolveu a Austrália, a Dinamarca e a
Holanda, tendo o segundo relatório incidido sobre a Áustria, a
Irlanda e o Japão.
Em Portugal, "mais de 80% das famílias monoparentais não têm
trabalho" e os seus filhos apresentam problemas de saúde e maus
resultados escolares, revelou Mark Pearson, em Lisboa, sublinhando
que "as taxas de pobreza em Portugal são muito elevadas" quando
comparadas com as da Nova Zelândia e da Suíça. Para o representante
da OCDE, que apresentou o relatório na sede do Ministério da
Segurança Social, também a qualidade dos cuidados com as crianças
deve merecer melhor atenção, competindo ao Estado apostar no aumento
do poder de compra dos pais e nos centros de cuidados infantis.
Segundo o relatório, 36% das nossas crianças ficam actualmente a
cargo de familiares, nos primeiros anos de vida. A situação poderá
agravar-se futuramente com o avanço da idade de reforma.
O Departamento de Política Social da OCDE - que prepara, para
publicação em 2005, um quarto relatório sobre o Canadá, a Finlândia,
o Reino Unido e a Suécia - inclui no estudo, apresentado ontem, uma
série de recomendações para melhoria do equilíbrio entre trabalho e
vida familiar em Portugal. O documento - cujo resumo, a par de outra
informação conexa, a OCDE disponibiliza, desde ontem, no portal da
Internet www.oecd.org - apresenta, entre outras recomendações, a
instituição de subsídios aos patrões para que materializem
"políticas amigáveis para a família". Sugere ainda o alargamento do
período de direito ao subsídio de maternidade, para tornar mais
vasto o leque das opções dos pais relativamente aos filhos mais
pequenos.
Nesta matéria, ainda há muito por fazer, conforme reconheceu ontem
Maria do Rosário Águas, secretária de Estado-Adjunta da Segurança
Social, da Família e da Criança, que acompanhou Mark Pearson na
apresentação do relatório.
Duas de cada três mulheres têm
trabalho a tempo inteiro
O relatório "Bebés e Patrões - Como
reconciliar trabalho e vida familiar?", agora divulgado pela OCDE,
regista que Portugal é um país caracterizado por baixos salários e
escassez de emprego. No entando, neste panorama, duas de cada três
mulheres portuguesas têm trabalho remunerado, a grande maioria das
quais (85%) têm trabalho a tempo inteiro. Esta taxa de ocupação
laboral - sublinha ainda o relatório - leva muitas mulheres a
considerarem o tempo de trabalho como o maior obstáculo à
disponibilidade para cuidarem dos filhos, ou para constituirem
grandes famílias. A taxa de fertilidade em Portugal é baixa,
situando-se em 1.5 crianças por mulher.
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