| Público - 01 Out 04
Natalidade Volta a Descer em Portugal
Por
MARIANA OLIVEIRA
O ano passado
nasceram em Portugal menos 1867 crianças que em 2002, o que
representa uma diminuição de 1,6 por cento. Depois de há dois anos a
natalidade ter crescido, invertendo a tendência de quebra registada
desde 2000, o ano passado voltaram a nascer menos bebés no país. Em
2003 contabilizaram-se 112.589 nascimentos. Os dados são do
relatório "Estatísticas demográficas 2003", divulgado ontem pelo
Instituto Nacional de Estatística.
O Norte é a
região do país onde a natalidade sofreu a pior quebra (4,2 por
cento), seguida pelo Centro (1,8 por cento) e pelo Alentejo (0,9 por
cento). Do outro lado da balança, está o Algarve com mais 3,7 por
cento de nascimentos.
Igualmente a
descer está a taxa de mortalidade infantil, que nos dois anos
anteriores tinha estagnado. O indicador, que já colocava Portugal à
frente de muitos países europeus, conseguiu baixar quase um ponto,
atingindo os 4,1 óbitos de crianças com menos de um ano de idade por
cada mil nados vivos. Recorde-se que em 1960 a taxa rondava os 77.
As regiões
autónomas contrapõem o limite máximo e mínimo da mortalidade
infantil no país. A Madeira com o valor mais elevado (7,9 óbitos por
cada mil nados vivos) e os Açores com o mais baixo (2,9 óbitos por
cada mil nados vivos). O número total de fetos mortos (508) também
desceu em 2003, um decréscimo que ultrapassou os 14 por cento.
A tendência
para o adiamento da maternidade foi reforçada em 2003. Mais de 42
por cento das parturientes foram mães entre os 30 e os 39 anos.
Apesar desta facha etária não ter sido a mais significativa - as
grávidas com menos de 30 anos representam 55 por cento do total -, o
grupo registou um aumento de mais de quatro pontos percentuais face
a 2000.
A mortalidade
também cresceu. Em 2003 registaram-se mais de 109 mil óbitos no
país, o que traduz um aumento de 2,3 por cento face ao ano anterior.
As mulheres continuam a morrer mais tarde que os homens, sendo este
o sexo que lidera os óbitos até aos 75 anos. Apesar da subida da
mortalidade e da descida da natalidade, a variação populacional
ainda é positiva. O crescimento natural fica-se pelos 0,04 por
cento. A tendência é reforçada pelos fluxos migratórios que
possibilitam um aumento de 0,64 por cento da população residente.
Em 31 de
Dezembro de 2003, viviam legalmente em Portugal mais de 250 mil
estrangeiros, um valor quase cinco por cento superior ao registado
no ano anterior. A população estrangeira (essencialmente cabo
verdiana, brasileira, angolana e guineense) reside sobretudo no
litoral, mais de 50 por cento vive em Lisboa. Panorama diferente é o
que se verifica com as solicitações de estatuto de residência. Os
mais de 13 mil pedidos representam uma diminuição de 25 por cento
face a 2002.
As
autorizações de permanência, dadas por um ano com possibilidade de
renovação, registaram uma redução muito significativa. Os pouco mais
de nove mil pedidos representam uma diminuição de quase 80 por cento
face a 2002.
Do lado da
saída, os números totais do fenómeno não se alteraram, repetindo-se
os cerca de 27 mil portugueses que decidiram emigrar. O fenómeno não
foi, no entanto, alheio a mudanças. A emigração temporária, que
representa três quartos do total, aumentou 68 por cento face ao ano
anterior.
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