Diário do Minho - 29 de Outubro de 2002

O Estado contra a Família?
Realizou-se em Lisboa o Congresso Nacional da Família que culminou com a Peregrinação das Famílias portuguesas ao Santuário de Fátima, no passado dia 13. Foi promovido pela Conferência Episcopal Portuguesa para assinalar os 20 anos da Exortação Apostólica "Familiaris consortio" - sobre a Família.

Durante três dias, mais de cinco centenas de pessoas reflectiram sobre o Matrimónio na sua tríplice vertente: unidade, fidelidade e fecundidade.

Analisaram as "luzes e sombras" que se apresentam a tal respeito e concluíram que parece haver mais sombras do que luzes.

A sociedade contemporânea assiste a uma autêntica paganização e suicídio da Família. Formam-se os lares hoje para se desfazerem amanhã. E os filhos é que pagam a factura de semelhante instabilidade.

Os filhos, que são a maior riqueza do lar, tornam-se assim o inimigo que é preciso eliminar a qualquer preço.

O Estado, estando ao serviço do indivíduo, igualmente está ao serviço da Família, para a ajudar a realizar a sua missão insubstituível e arredar quaisquer entraves que à mesma se oponham.

Antes do Estado está a Família, regida por leis naturais que não mudam e continuam invariáveis.

O Estado não pode legislar contra a Família. Tem de ser o defensor da mesma. Legislar contra a unidade, a indissolubilidade e a fecundidade do casamento será exorbitar dos seus direitos e deveres.

O dinheiro do Estado, pago pelos contribuintes, não pode servir para o aborto livre e gratuito.

Não vale a pena tirar um curso de medicina ou de enfermagem para matar ou saber matar sem consequências judiciais. O aborto não é problema político. É moral.

Perguntaram um dia a Madre Teresa de Calcutá: quem será mais útil à sociedade? Resposta imediata: - Os pais e as mães.

As famílias numerosas, longe de serem «um cancro» ou «uma praga» social a abater, são uma riqueza. Importa que se ponha em prática uma verdadeira política de Família de acordo com a realidade contemporânea.

Os abonos de Família devem evoluir com o aumento do custo de vida. Que os meios de comunicação social, sobretudo a rádio e a TV, ajudem a Família e não contribuem para a sua destruição.

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