Público - 19 de Outubro

Livros Escolares

Venho por este meio fazer o meu comentário sobre o argumento usado pelos livreiros ao facto de o Governo prever o uso de livros gratuitos no primeiro ciclo. Num vosso artigo lê-se: "O facto de alunos usarem, ano após ano, os mesmos livros, usados e muitas vezes em mau estado, é um dos problemas apontados ao sistema."

Vivo na Alemanha e tenho dois filhos que frequentam a escola primária. Os livros escolares são distribuídos na primeira semana de escola e recolhidos na última. É verdade que os livros são usados durante anos pelos alunos. O meu filho tem livros que já foram usados por seis ou sete vezes, em anos consecutivos. Mas não é verdade que os livros estejam em mau estado. Pelo contrário. É obrigação dos pais forrarem os livros e mantê-los em boas condições. As crianças não escrevem nos livros e são ensinadas a valorizá-los. Os pais terão que pagar o custo da substituição de qualquer livro que os seus filhos estraguem. É importante notar que os livros são de uso gratuito até ao fim da escolaridade obrigatória.

Perguntem aos pais qual a opção que preferem. Colaborar num sistema do tipo que acabei de descrever, sem que a educação dos seus filhos saia prejudicada, ou repetir-se anualmente o ciclo da compra de livros escolares por pequenas fortunas?

O problema é que os "interesses" por detrás dos livros escolares são demasiado grandes. O negócio é muito rentável para alguns. Que lógica tem que na mesma escola, no mesmo ano lectivo, cada professor exija um manual diferente? Por que razão não pode o Ministério da Educação, com o apoio de profissionais do ensino, desenhar manuais escolares ajustados, equilibrados, de qualidade e que possam ser reusados?

Maria Vitalina Vieira, Erding, Alemanha 

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