Livros Escolares
Venho por este meio fazer o meu comentário sobre o argumento usado
pelos livreiros ao facto de o Governo prever o uso de livros gratuitos
no primeiro ciclo. Num vosso artigo lê-se: "O facto de alunos
usarem, ano após ano, os mesmos livros, usados e muitas vezes em mau
estado, é um dos problemas apontados ao sistema."
Vivo na Alemanha e tenho dois filhos que frequentam a escola
primária. Os livros escolares são distribuídos na primeira semana de
escola e recolhidos na última. É verdade que os livros são usados
durante anos pelos alunos. O meu filho tem livros que já foram usados
por seis ou sete vezes, em anos consecutivos. Mas não é verdade que os
livros estejam em mau estado. Pelo contrário. É obrigação dos pais
forrarem os livros e mantê-los em boas condições. As crianças não
escrevem nos livros e são ensinadas a valorizá-los. Os pais terão que
pagar o custo da substituição de qualquer livro que os seus filhos
estraguem. É importante notar que os livros são de uso gratuito até
ao fim da escolaridade obrigatória.
Perguntem aos pais qual a opção que preferem. Colaborar num sistema
do tipo que acabei de descrever, sem que a educação dos seus filhos
saia prejudicada, ou repetir-se anualmente o ciclo da compra de livros
escolares por pequenas fortunas?
O problema é que os "interesses" por detrás dos livros
escolares são demasiado grandes. O negócio é muito rentável para
alguns. Que lógica tem que na mesma escola, no mesmo ano lectivo, cada
professor exija um manual diferente? Por que razão não pode o
Ministério da Educação, com o apoio de profissionais do ensino,
desenhar manuais escolares ajustados, equilibrados, de qualidade e que
possam ser reusados?
Maria Vitalina Vieira, Erding, Alemanha