Público - 11 de Outubro

Pais Sugerem Que Os Livros Sejam Reutilizados 
Por BÁRBARA WONG

Confap vai propor à tutela que, no final do ano, os alunos deixem os manuais na escola

"Bolsa de Manuais Escolares". Trata-se de um novo serviço que a Confederação das Associações de Pais (Confap) gostaria de ver implantado nas escolas. Os representantes dos pais e encarregados de educação vão reunir na próxima semana com o Ministério da Educação e vão propô-lo para entrar em funcionamento já no próximo ano lectivo. Trata-se de criar um serviço, em cada uma das escolas do 2º, 3º ciclos e secundário, onde os estudantes no final do ano lectivo possam depositar os livros que usaram nas aulas, de maneira a que sejam reutilizados, no ano seguinte, por outros colegas. "Para os pais, esta ideia seria uma solução para ajudar as famílias a poupar na compra dos manuais escolares - uma despesa suplementar, de que se fala em cada início de ano escolar, porque é demasiado dispendiosa", diz o presidente da Confap, Vitor Sarmento. 

E esta é uma proposta que não seria complicado por em prática, acredita o representante dos pais. Bastava, no primeiro ano da experiência, fazer um apelo à comunidade escolar, nomeadamente aos alunos, para que não estraguem os livros e os deixem na escola; e às associações de pais para que ajudem a escola na coordenação deste serviço, que deverá ser da responsabilidade dos serviços de acção social escolar. 

Os primeiros a beneficiar com a entrega dos livros seriam os alunos mais carenciados, aqueles que recebem subsídios precisamente para comprar os manuais. Em vez disso, o dinheiro, que continuariam a receber, seria investido noutro tipo de material escolar, como os cadernos ou o material de desenho. "E se sobrasse dinheiro [a gestão dessa verba ficaria a cargo da escola], poderia ficar para comprar livros para a biblioteca". 

Estas "bolsas" não funcionariam nas escolas do 1º ciclo porque a Confap acredita que a tutela vai cumprir a promessa de que em 2003 os manuais escolares serão gratuitos para esse nível escolar. "Admito que as editoras não estejam interessadas nesta proposta, que poderá reduzir os seus lucros, mas há alunos para os quais esta medida seria importante, do ponto de vista social. Além disso, todos os anos se deitam livros fora...", conclui Vitor Sarmento.
 

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