Diário de Notícias - 31 de Outubro

"Alguma coisa correu mal na pausa lectiva"

ISALTINA PADRÃO

O Ministério da Educação reconhece que "é evidente que alguma coisa correu mal" nesta pausa lectiva e admite que o Governo terá que tomar uma atitude no que respeita a estas interrupções. Em declarações ao DN, o secretário de Estado da Educação, João Praia, considera que na pausa de Fevereiro o Executivo "tem de ter a coragem política de colocar a pausa no devido lugar" caso se mantenham as irregularidades verificadas nesta.

Ou seja, o Governo não está nada satisfeito com a distorção que a classe docente faz do conceito de pausa lectiva. "É evidente que o próprio conceito não é interpretado com o rigor com que foi concebido. Está muito presente a noção de facilitismo e isso nem vale a pena comentarmos", explica João Praia, adiantando que o Governo tem que "questionar os efeitos perversos e o entendimento que os professores têm sobre a pausa lectiva".

Embora ainda não existam dados concretos sobre o que está a suceder neste período que supostamente os professores deveriam dedicar à reflexão, análise e programação do trabalho lectivo com os alunos, o secretário de Estado da Educação reconhece que as notícias vindas a público através da comunicação social "fazem eco de um pulsar da sociedade" e que são indicativas de que "alguma coisa não está bem".

É para fazer um ponto da situação que o Ministério da Educação irá reunir, na próxima semana, com todas as Direcções Regionais de Educação (DRE). "Só então poderemos fazer um balanço sobre o que se passou e o que não se passou e através dos resultados poderemos acautelar o futuro para que a próxima pausa faça mais sentido e cumpra os objectivos para que foi concebida", explica João Praia, adiantando que se em Fevereiro tal não acontecer, há que tomar medidas.

É que, segundo o governante, é fundamental ter-se conhecimento das água em que se navega. "Temos que saber se esta pausa traz mais problemas do que aqueles que ela foi concebida para resolver. Temos que tirar uma ilação dos efeitos perversos que possa provocar", conclui o secretário de Estado da Educação.

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