Diário Digital - 13 Nov 07

APFN contra medidas do Governo para famílias de acolhimento

A associação portuguesa de famílias numerosas (APFN) considerou hoje «discriminatórias» as medidas anunciadas pelo Governo para apoiar as famílias de acolhimento, por não contemplarem as famílias adoptantes ou biológicas, que têm «os mesmos encargos».

Um diploma publicado segunda-feira em Diário da República prevê um aumento de nove euros nos subsídios de retribuição e manutenção para as famílias de acolhimento, que passam a receber um total de 300 euros.

Hoje, a APFN lamentou que, «apesar de terem os mesmos encargos», as famílias adoptantes e com filhos biológicos tenham «menos ajudas do governo».

«Em nada se pretende atingir as famílias que, deste modo, já proporcionem melhores condições para as crianças e jovens em risco. No entanto, este programa é mais uma amostra da política de família desastrosa que Portugal tem tido nas últimas dezenas de anos», escreve a APFN em comunicado.

Segundo o presidente da Direcção da APFN, Fernando Castro, o «Estado sabe que o encargo com uma criança é de 200 euros por mês, no entanto, dá subsídios com valores ridículos, de 100 euros por mês, a famílias numerosas muito pobres, e só até aos três anos de idade».

Para além das diferenças que existem nas verbas atribuídas, a APFN considera «injusto» o apoio material que é dado às famílias de acolhimento e que não se verifica no caso de uma família biológica ou adoptante.

«Poderá ser-lhes [à família de acolhimento] fornecido um computador, um carrinho de bebé e, presume-se, também uma cadeirinha para o carro se a família tiver automóvel».

Para além disso, a associação chamou a atenção para o facto de o tempo de acolhimento ser contado para a pensão de reforma, visto que um dos elementos da família de acolhimento é colectado como profissional independente.

No comunicado, a associação exige, para as famílias adoptantes e biológicas, «direito à pensão de reforma, correspondente a um salário de 300 euros mensais (470 euros no caso de deficientes), vezes o número de filhos durante o tempo em que deles cuidarem» e a recepção de um abono de família.

A associação, considerando «as disparidades de apoios" apela agora ao acolhimento de crianças e jovens, com a frase Não adopte! Acolha!», divulgada em comunicado.

«Ninguém deverá adoptar crianças ou jovens, mas, pelo contrário, acolhê-los, uma vez que, ao adoptar, não só não receberá nada como nem sequer poderá deduzir os 300 euros (470 euros no caso de deficientes) que o Estado atribui ao custo de manutenção de uma criança», disse Fernando Castro.

«O Governo tem de perceber que não se querem valores iguais, mas no mínimo equivalentes», acrescentou.