Diário de Notícias - 21
Nov 06
Tarifas de água
penalizam famílias mais numerosas
Daniel Lam
Os deputados socialistas apresentaram, na Assembleia
Municipal de Almada, uma moção com vista à criação
da tarifa familiar no consumo doméstico de água para
não penalizar os agregados familiares maiores, como
já sucede em vários concelhos do País. Mas a maioria
comunista chumbou a proposta, decisão fortemente
contestada pelo PS e pela Associação Portuguesa de
Famílias Numerosas (ver caixa).
Segundo explicou ao DN o deputado municipal Ruben
Raposo (PS), "a ideia é escalonar o preço da água em
função do número de elementos que residem em cada
habitação. O tarifário normal não tem em conta a
dimensão das famílias numerosas, prejudicando os
consumos mais elevados por residência".
Na sua opinião, "a política tarifária normal,
actualmente praticada pelos Serviços Municipalizados
de Água e Saneamento (SMAS) de Almada, visa
penalizar os consumos excessivos. Uma medida
sensata, pois o desperdício deve ser combatido. Mas
o facto de não considerar os agregados familiares
para tarifar o consumo doméstico subverte por
inteiro essa política e faz com que paguem mais não
os cidadãos que esbanjam mas sobretudo as famílias
mais numerosas".
"Tendo em conta que se considera, a nível
internacional, como consumo normal de água por
utente, 120 litros diários, obtém-se a média de 3600
litros mensais, ou seja, 3,6 metros cúbicos por mês
[m3/mês]", referiu o deputado socialista.
E exemplificou com o caso de "uma família
constituída por um casal e três filhos em que cada
utente tenha esse consumo-padrão. O consumo será de
18 m3/mês, fazendo essa família pagar uma factura
com in- cidência no 3.º escalão (mais de 15 m3),
suportando um custo por metro cúbico 63% mais
elevado do que um utente individual" (ver
infografia).
Por isso mesmo, Ruben Raposo considera "imperioso
que se corrija esta flagrante injustiça de as
famílias continuarem a pagar a água tanto mais cara
quanto maior for a dimensão do agregado".
"Encher a piscina da vivenda"
Sobre estas questões, o porta-voz dos deputados
municipais da CDU, Sérgio Taipas, diz ser
"importante perceber que a proposta de reduzir o
preço da água em função da família tanto serve para
pagar a água à família que tem dificuldades em pagar
seja o que for como para encher a piscina da vivenda
de quem pode pagar muito mais". E salienta que "a
Câmara de Almada pratica há muito tempo uma
política, essa sim, socialmente justa. Porque há
muito tempo que aqueles que têm rendimentos menores
- sejam famílias grandes ou pequenas - são isentos
do pagamento de 50% da água, desde que tenham um
rendimento per capita igual ou inferior ao
salário mínimo nacional".
A moção apresentada pelo PS foi rejeitada por
maioria, com 34 votos contra (de eleitos da CDU e do
Bloco de Esquerda) e 17 votos a favor (de eleitos do
PS e PSD).