Diário do Minho.pt - 8 Nov 04

Sucesso da mediação familiar «depende dos cônjuges»

Para além das questões filosóficas e de princípio, o seminário A par e passo com as famílias teve a preocupação de abordar temas como mediação familiar, aconselhamento e orientação familiar e terapia familiar. No entanto, os oradores deixaram claro que, se numa doença física, normalmente, os médicos podem curar os pacientes sem intervenção dos pacientes, «o sucesso da mediação familiar depende em grande parte dos cônjuges».

Etelvino Rodrigues, do Cenofa de Coimbra, trabalha como orientador, contou a sua experiência e alguns casos práticos por si tratados, alguns bem sucedidos outros nem por isso.

E nesta tarefa de tentar evitar divórcios e melhorar a convivência familiar que surgem os orientadores. Etelvino Rodrigues defende que deve haver três fases no aconselhamento: ouvir, separadamente, o casal e depois ouvi-los em conjunto. Na mediação, é necessário elucidar os cônjuges dos seus direitos, deveres e obrigações, que devem ser temperados com humor e alegria.

Por seu lado, o psiquiatra Rui Moreira, reforçando a ideia do orador anterior, disse que é importante a boa vontade e o espírito de perdão do casal.

Paula Marinho, da Associação Famílias de Viana do Castelo, expôs o tema Mediação Familiar; e insistiu na necessidade do diálogo em família, não só entre o casal, mas também com os filhos. Quanto ao espaço de mediação, esta advogada defende que deve ser em campo neutro, para garantir a independência e neutralidade. Por outro lado, é fundamental que o casal acredite no processo, nos mediadores.

Esta conferencista defende maior preparação dos jovens para o matrimónio, nomeadamente a necessidade de perceberem que, no casamento, «pretende-se construir uma comunidade íntima do amor».

Benedita Aguiar Gomes falou dos Novos desafios às famílias com adolescentes, demonstrando o crescente envolvimento dos jovens com os colegas, o que leva a família a perder influência sobre os filhos. De facto, esta etapa do crescimento é propícia ao conflito entre os pais e os filhos.

No entanto, apesar dos inconvenientes, esta psicóloga recorda que a convivência com colegas contribui positivamente para o desenvolvimento do adolescente, nomeadamente as amizades e os envolvimentos no grupo.

Uso das novas tecnologias

Carlos Coelho, do Centro de Orientação Familiar, (Cenofa) de Lisboa, também falou das relações pais e filhos, nomeadamente no que diz respeito às novas tecnologias de informação e comunicação, designa-damente a internet e a televisão.

E a mensagem para as famílias é de que ninguém pode ignorar estes meios, mas há que saber utilizá-los. «É fundamental algum controlo e garantir uma boa utilização, nomeadamente da televisão e da internet», aconselhou.

A última intervenção do dia ficou reservada a Fernando Castro, presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas.

Fátima Carioca, do Cenofa de Lisboa falou sobre a Conciliação Família e Trabalho um desafio actual; e Anabela Bouça, do Cenofa do Porto, expôs o tema O papel da Escola.

O palestrante Jacques Pellabeuf, de França, à última hora, não pode vir e a sua conferência Ser Família hoje na Europa a formação para o acolhimento à vida foi lida pelo presidente da Associação Famílias, Carlos Aguiar Gomes.

Em termos de conselhos práticos, ficou-se a saber que, actualmente, o único gabinete oficial de mediação Familiar resulta de um acordo entre o Ministério da Justiça e a Ordem dos Advogados; e, brevemente, vai ser aberto um segundo gabinete em Coimbra.

No entanto, as Associações Famílias têm espaços e técnicos que acolhem e aconselham os casais com problemas. Um trabalho voluntário e sem apoio estatal. Tanto em Braga como em Viana do Castelo, estas associações estão de portas abertas à espera daqueles que precisam de apoio.

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