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Público - 28 de Novembro de 2002
Raciocínios Mais Complexos e Capacidade de Argumentação Baralham Alunos
Por ISABEL LEIRIA
Análise aos resultados do PISA em relação à matemática revela dificuldades dos
miúdos de 15 anos
Num dos exercícios constantes do maior estudo internacional sobre competências
de literacia era pedido aos alunos de 15 anos que calculassem a área de uma
figura irregular - no caso, a Antárctida - utilizando a escala do mapa. Três em
cada quatro dos miúdos portugueses não foram sequer capazes de responder. E na
amostra de respostas recolhidas e analisadas pelo Gabinete de Avaliação
Educacional (Gave) não foi mesmo encontrada nenhuma que estivesse totalmente
correcta.
Já se sabia que a literacia matemática estava longe de ser o forte dos
estudantes portugueses - isso mesmo ficou comprovado com os últimos resultados
do PISA (Programme for International Student Assessment), que colocaram o país
na 24ª posição, num total de 27 estados da OCDE, só sendo ultrapassado pela
Grécia, Luxemburgo e México. Aliás, mais do que na leitura e na ciência, onde os
resultados foram igualmente fracos, é nas tarefas que envolvem números e
raciocínios matemáticos que surgem as maiores dificuldades. Mas o GAVE fez agora
uma análise mais detalhada sobre o tipo de respostas dadas em questões
matemáticas e detectou algumas das competências em que os jovens portugueses
mais se afastam dos seus colegas da OCDE.
A estimativa de uma área irregular, as tarefas de maior complexidade e aquelas
que apelam à utilização de representações simbólicas são então alguns dos
exemplos dados neste segundo relatório nacional, agora divulgado. Em relação a
esta última competência, escreve-se no documento que muitos destes estudantes
"revelam igualmente uma fraca capacidade de argumentação, materializada nas
justificações que apresentam: generalizam situações sem proceder à sua
verificação; recorrem a informação para as suas respostas sem que esta seja
pertinente para o problema em causa; fundamentam as suas respostas em situações
claramente excluídas pelas condições enunciadas".
Estes serão seguramente alguns dos pontos de partida para o seminário "O ensino
da matemática: situação e perspectivas", que hoje decorre no Conselho Nacional
de Educação, em Lisboa.
De resto, o GAVE reafirma que a situação dos jovens portugueses é "preocupante",
já que os resultados são claramente inferiores aos obtidos pelos seus colegas:
afastam-se 46 pontos da média da OCDE. E mesmo a prestação dos estudantes da
região de Lisboa e Vale do Tejo - a zona que apresenta melhores classificações -
fica abaixo desse indicador. Se for analisado apenas o desempenho dos alunos que
se colocam nos dois extremos da tabela, chega-se ainda à conclusão que os
melhores miúdos portugueses obtêm, em média, resultados mais baixos que os seus
melhores colegas; de igual forma, os piores têm prestações inferiores às da
média dos mais fracos da OCDE.
A partir da avaliação do desempenho por ano de escolaridade, o relatório
sublinha também que a "repetição de ano não acompanha ganhos cognitivos dos
alunos em causa", na medida em que os resultados decrescem consistentemente do
11º para o 5º.
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