Portugal Diário -
13 Mar
08
Precisamos de muitos bebés
Miguel Morais
Depois do alerta do INE que revelou taxas de
natalidade baixíssimas, e traçou um cenário
pessimista para 2050, a OCDE revela que Portugal é
dos países que menos incentiva a natalidade. Medidas
do Governo têm sido «desastradas»
Natalidade: é preciso mais
Portugal «está com a morte marcada»
Portugal é um dos 30 países da Organização para a
Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) que
menos incentivam a natalidade. A conclusão é de um
relatório divulgado pela OCDE, que tem em conta o
impacto de variáveis como os impostos, contribuições
para a Segurança Social e os subsídios do rendimento
líquido das famílias.
Dados recentes divulgados pelo Instituto Nacional de
Estatística (INE) revelam que a taxa de natalidade
atingiu, em 2006, os valores mais baixos de que há
registo, sendo que nasceram menos 4.100 bebés em
Portugal do que em 2005. Estas estatísticas levam o
INE a traçar um cenário muito pessimista para 2050,
apontando que Portugal terá perdido um quarto da
população, passando para 7,5 milhões de pessoas.
Algumas autarquias já promovem várias medidas de
apoio à natalidade e combate à desertificação. São
os casos dos municípios de Alijó e de Mértola, que
oferecem incentivos às famílias que tenham o segundo
filho.
Algarve: taxa de natalidade é das mais altas
Alijó: 808 euros para o segundo filho
O Governo tem anunciado ultimamente algumas medidas
na área da natalidade e das famílias, medidas essas
que não têm agradado à Associação Portuguesa de
Famílias Numerosas (APFN). «Finalmente temos um
primeiro-ministro que olha para este problema, mas
as medidas anunciadas têm sido desastradas», referiu
Fernando Castro, presidente da organização, em
declarações ao PortugalDiário.
A entrada em vigor dos quatro meses de subsídio para
grávidas com rendimentos baixos é uma das políticas
merece o aplauso da APFN. No entanto, outras medidas
têm sido aplicadas pelo Governo de Sócrates. Houve
um reforço dos abonos de família para os agregados
mais carenciados e, em 2008, as famílias com filhos
até três anos vão poder beneficiar, na dedução do
IRS, da duplicação da dedução específica. A
confiança do Governo no sucesso destas medidas levou
Sócrates a anunciar o aumento de 33 por cento da
rede de creches na cobertura do território, até
2009.
Fernando Castro refere que o Governo «promove
medidas natalistas e implementa anti-natalistas». O
dirigente da APFN sustenta que tem de haver «uma
promoção da conjugalidade» e crítica a penalização
fiscal contra os casais. E dá um exemplo: «Não
existe margem para baixar os impostos dos produtos
para crianças e o IVA das cadeirinhas, mas baixaram
o IVA dos ginásios».
CDS-PP quer um Estado «amigo das famílias»
Relatório da OCDE aponta as diferenças
Em 2007, um contribuinte solteiro que auferisse um
rendimento correspondente a 67 por cento da média
teria de entregar ao Estado 16,6 por cento do
rendimento bruto. No caso do contribuinte ter dois
filhos, entregaria ao Estado apenas 5,7 por cento do
seu rendimento bruto. A diferença entre os dois
valores é um incentivo público à natalidade. Existe
uma diferença de 10,8 por cento, mas que, ainda
assim, é considerado um valor muito baixo face aos
outros países da organização internacional.