Portugal Diário - 7 Mar 05

 

Famílias numerosas querem todos os ligeiros a pagar o mesmo preço

 

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) defendeu hoje que o novo Governo alargue a redução das portagens a todas as viaturas ligeiras, incluindo as carrinhas de nove lugares, para «acabar com a discriminação».

 

A tomada de posição da APFN surge na sequência da aplicação do Decreto-Lei sobre a redução das portagens das viaturas monovolume, uma medida que está causar polémica devido ao aumento das portagens que as concessionárias das auto-estradas exigiram como compensação.

 

Em comunicado, a Associação critica o facto de se fixar portagens em função da altura do capot, em vez do critério de tipo de viatura (ligeiro ou pesado, com e sem reboques), «penalizando fortemente os pais das famílias numerosas».

 

Contactado pela agência Lusa, Franco Caruso, assessor de imprensa da Brisa, maior concessionária de auto-estradas portuguesa, escusou-se a comentar a posição da Associação, mas referiu que qualquer alteração do Estado em relação aos termos do contrato de concessão terá de «acautelar o seu equilíbrio financeiro» com uma compensação.

 

Dados da empresa referentes a 2004 indicam que 79 por cento do tráfego na rede Brisa pertence à Classe 1 (ligeiros), enquanto os veículos de nove lugares entram na Classe 2, cujo volume total atinge os 15 por cento.

 

Ferreira Nunes, presidente da ANECRA - Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel, estima que os monovolumes beneficiados com a lei ascendam a cerca de 30 mil.

 

Apesar de não conseguir determinar o número dos veículos de nove lugares, considera que serão «muito mais do que os monovolumes».

 

Também na opinião do responsável, a lei para os monovolumes «peca pela discriminação» e constitui «uma hipocrisia».

 

Ainda no comunicado, a APFN critica que o aumento das portagens decretado pela Brisa já tenha ocorrido, sem que a lei tenha sido aplicada, «por manifesta incompetência das entidades públicas» e por isso exige que os proprietários das viaturas abrangidas sejam indemnizados.

 

A entidade sustenta que a redução das tarifas é importante num país «que envelhece a olhos vistos» e defende que o Governo deve acabar com todas as penalizações a que são sujeitos os casais que se dispõem a ter mais do que um ou dois filhos.

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