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Ecclesia - 7 de Março
Câmaras Municipais aprovam propostas da APFN
Benefícios familiares
Filipe R. Lucena
As famílias moradoras nos concelhos de Sintra e Coimbra vão passar a ter
alguns benefícios em alguns campos. Em Sintra, as famílias vão ver
implementado o tarifário de água per capita. Ou seja, os aumentos de
escalão de tarifário passam a ser estabelecidos, não pelo número de
pessoas a consumir, mas pelo consumo total a dividir pelo número de
elementos do agregado familiar. Em Coimbra, e de acordo com notícia
avançada pelo jornal online Portugal Diário, as famílias passam a ter
descontos nos transportes públicos municipais, no acesso à cultura e ao
desporto.
Estas medidas foram o fruto das recomendações que a Associação Portuguesa
de Famílias Numerosas (APFN), desde Novembro, tem vindo a espalhar por
todos os distritos de Portugal (excepção ainda feita a Portalegre e
Açores), promovendo, em cada um, uma conferência intitulada Família e o
poder local, onde são expostas as medidas que pretende ver implementadas
pelas Câmaras Municipais.
Em declarações à Agência ECCLESIA, o Presidente da APFN referiu que a
política familiar atravessa todos os quadrantes políticos, realçando a
superioridade desta perante divergências partidárias e, por isso, a
excelente receptividade daquelas propostas, por todas as Câmaras, de todos
os quadrantes políticos.
Contradizendo o expresso por alguns órgãos de comunicação social, quanto
aos tarifários da água, Fernando Castro frisou que não se trata de ter a
água mais barata. Na proposta de recomendação da APFN, às Câmaras
Municipais, é reconhecido que a actual política tarifária visa penalizar
os consumos excessivos (...) mas a verdade é que, a não consideração dos
agregados familiares, (...) faz com que paguem mais, não os cidadãos que
mais consomem, nem sequer os que esbanjem, mas sobretudo aqueles que se
integram em famílias e tanto pior quanto mais numerosa esta for,
salienta-se. Fernando Castro recordou que basta duas pessoas casarem-se
para a água custar mais 25%; se têm dois filhos pagam mais 50%; e se têm 4
filhos pagam o dobro!
A Assembleia Municipal de Sintra aprovou, dia 24 de Fevereiro, com a
abstenção do PS e sem nenhum voto contra, a proposta da APFN para adopção
do tarifário Familiar de água.
Nos benefícios para o acesso à cultura e ao desporto, a APFN propõe
Bilhetes Familiares. Fernando Castro recordando alguns exemplos de
Bilhetes, pouco, Familiares, referiu que no Pavilhão do Conhecimento, em
Lisboa, o bilhete para a família contempla dois filhos. Se a família tiver
um terceiro filho é pago à parte. O terceiro filho era uma extravagância.
Esta situação foi entretanto alterada, abrangendo o bilhete de família
qualquer número de filhos. Outro caso apontado foi o do Planetário do
Porto, onde nem sequer o segundo filho está contemplado pelo bilhete
familiar.
No que aos transportes diz respeito, a APFN propõe a criação de passes
familiares. Para um casal com dois filhos sai mais barato viajar em
viatura própria, salienta Fernando Castro, criticando os precários em
vigor. Desta forma, pretende-se criar o passe familiar, nem que fosse
apenas fora das horas de ponta e aos fins de semana e feriados, concede a
APFN, lembrando o seu Presidente que nessas horas e nesses dias se vê os
transportes públicos não cheios e as estradas engarrafadas com veículos
privados.
Em Coimbra, as propostas da APFN para transportes, cultura e desporto
foram aprovadas por unanimidade, para famílias do concelho com 3 ou mais
filhos. A Câmara Municipal de Coimbra admite ainda rever o tarifário do
custo da água e nomeou um Vereador para a Família.
Se a nível autárquico, a batalha da APFN vai começando a mostrar frutos,
um dos pontos de batalha a nível nacional é, para a APFN, o código de IRS,
visto como um verdadeiro atentado à família, pois, sublinha Fernando
Castro, duas pessoas casadas pagam mais impostos do que estando cada um
solteiro, enquanto famílias mono-parentais têm benefícios fiscais.
Fernando Castro lembra que, a nível nacional, é preciso uma Política
Familiar, cujo principal tutelar deverá ser o Primeiro Ministro,
coordenando e verificando as medidas adoptadas por diferentes
ministérios. A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas não é, no
entanto, a favor da criação de um Ministério da Família, para não dar
oportunidade a que outros ministérios descartem as suas responsabilidades
para cima do novo, explicou Fernando Castro.
Poderá encontrar informações suplementares sobre a APFN em
www.apfn.loveslife.com/
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