Correio Alentejo.com -
21 Mai
08
Famílias
Numerosas: Apoios revelam-se escassos no Alentejo
Os apoios a famílias
numerosas por parte dos municípios do Alentejo não
abundam, mas, das poucas câmaras que os têm, os
descontos ou tarifas especiais no consumo da água
são a medida preferencial.
Numa ronda efectuada
hoje pela agência Lusa por municípios de Beja, Évora
e Portalegre, foi possível constatar que os
incentivos e apoios a famílias numerosas (em que o
agregado familiar é composto, pelo menos, por cinco
pessoas) são quase inexistentes na região.
Apesar disso, várias
foram as autarquias que garantiram estar a estudar
ou a analisar a futura adopção de medidas, depois de
contactos mantidos com a Associação Portuguesa de
Famílias Numerosas (APFN).
As câmaras de Castro
Verde, Mértola e Odemira são as únicas do distrito
de Beja com medidas específicas para ajudar famílias
numerosas, todas relacionadas com a aplicação de
tarifas especiais ou descontos no consumo de água.
Nos casos de Castro
Verde e Mértola, existem escalões mensais
específicos para esses agregados familiares e que
incluem limites de consumo mais amplos e preços por
metro cúbico de água mais baixos do que os previstos
nos escalões base aplicáveis aos consumos
domésticos.
Em Castro Verde, onde
não foi possível obter o número de famílias
beneficiárias, foram criados o "Escalão familiar"
para agregados entre quatro a seis elementos e o
"Escalão familiar +" para agregados com mais de seis
pessoas.
Na apoio de Mértola,
que beneficia 15 famílias, por exemplo, o primeiro
escalão de consumo para famílias com mais de quatro
elementos contempla um limite de até 10 metros
cúbicos de água, enquanto o escalão base do regime
doméstico fica-se pelos quatro metros cúbicos.
Quanto a Odemira, em
que são apoiadas duas famílias, apesar de haver
escalões únicos aplicáveis aos consumos domésticos,
os agregados familiares com seis ou mais elementos
pagam apenas metade do consumo mensal de água.
Além das tarifas
especiais na água, a câmara de Mértola está a
estudar a hipótese de disponibilizar, para famílias
numerosas, "lotes de terreno a preços simbólicos
para a construção de novas habitações", adiantou
hoje à Lusa o presidente, Jorge Pulido valente.
Nas regiões de Évora
e Portalegre, o panorama não é muito diferente,
sendo as tarifas especiais no consumo de água para
apoiar famílias numerosas uma realidade nas duas
capitais de distrito.
Em Évora, explicou à
Lusa José Ruivo, do município local, essas tarifas
especiais, que consistem na aplicação de uma fórmula
de cálculo consoante o número de elementos do
agregado familiar e o escalão de consumo de água,
estão em vigor desde 2005 e abrangem, de momento,
"207 famílias", estendendo-se os descontos também às
taxas do saneamento e de resíduos sólidos.
Como exemplo, uma
família de quatro elementos, com um consumo final de
nove metros cúbicos de água, é facturada no terceiro
escalão, pagando cada metro cúbico a 64 cêntimos,
enquanto que uma família de cinco elementos, com
idêntico consumo, já ficará "no primeiro escalão",
tendo de pagar "34 cêntimos por metro cúbico".
"Contabilizando o
consumo mensal e as tarifas de saneamento e resíduos
sólidos, a família de quatro elementos terá um valor
final da factura de 29,23 euros. Já o valor para a
família numerosa, de cinco pessoas, será de 13,76
euros", indicou.
Em Portalegre, onde
são apoiadas 31 famílias, também é aplicada uma
fórmula de cálculo que varia em função do número de
elementos do agregado familiar, a partir de cinco
elementos, os quais têm de constar na declaração de
IRS.
No mesmo distrito, em
Alter do Chão, vigora desde o início do ano, ainda
com "poucas famílias abrangidas", uma tarifa mais
reduzida do consumo de água para agregados a partir
de quatro elementos.
"Quisemos beneficiar
e estimular estes agregados familiares numerosos,
que têm mais dificuldades económicas e não podem
pagar o mesmo valor pela água que paga um casal",
sublinhou à Lusa Joviano Vitorino, presidente da
câmara.
Várias câmaras
aludiram ainda a medidas adoptadas para incentivar a
natalidade, garantindo que, por envolverem subsídios
também para o terceiro ou mais filhos, beneficiam
igualmente famílias numerosas.
Mora, que atribui 500
euros ao primeiro filho, mil ao segundo e 1.500 ao
terceiro e seguintes, desde 2004, juntamente com
vales no valor total de 500 euros a partir do
segundo filho em géneros para o bebé, é um desses
casos.
No global, nos
últimos quatro anos, foram atribuídos 67 subsídios,
a grande maioria ao primeiro filho e apenas quatro
ao terceiro, tendo o presidente do município, José
Manuel Sinogas, garantido que se verificou um
"ligeiro aumento no número de bebés no concelho".
Alandroal tem medidas
semelhantes, que envolveram a atribuição de
subsídios a 46 famílias, enquanto, no distrito de
Beja, o mesmo acontece com os municípios de
Almodôvar, Barrancos e Mértola.
Os casais de
Almodôvar que "derem à luz" um filho recebem um
subsídio único de 750 euros e os de Barrancos
recebem 1.000 (primeiro), 1.500 (segundo) ou 2.000
euros (terceiro ou mais filhos).
Os casais de Mértola,
com baixos rendimentos, vão dispor de um subsídio
mensal variável e calculado a partir das despesas
elegíveis apresentadas pelos agregados para
comparticipar encargos que os casais venham a ter
com o segundo filho, durante os seus primeiros cinco
anos de vida.