Agência Ecclesia -
15 Mai
08
Projeto-lei do divórcio gera «conflitualidade»
Em situações já por si ”tristes”, o Projecto-lei do
divórcio abre espaço a “conflitualidade”, expressa à
Agência ECCLESIA Maria Teresa Ribeiro, Docente de
Psicologia e colaboradora do Instituto das Ciências
da Família da Universidade Católica Portuguesa.
A quebra de um compromisso que existia “tem
implicações em todos os intervenientes” e com o
Projecto-lei do divórcio, o Estado “torna claro que
considera irrelevante o casamento enquanto
estruturante da vida social”, uma situação
considerada “grave” pela psicóloga.
Permitindo que o casamento seja “facilmente
quebrado, apenas com a vontade expressa de um dos
cônjuges, torna o contrato mais desprotegido e
desvalorizado”, explica.
Com base em investigações científicas, Maria Teresa
Ribeiro afirma que o divórcio está relacionado com o
aumento de droga, com a solidão e com a indisciplina
escolar. “Promover o casamento faz diminuir a
pobreza nas crianças, adianta.
A psicóloga explica que com este projecto lei
“está-se a promover o que se deseja combater”,
abrindo-se espaço a “fraquezas sociais”.
Ao centrar a vida conjugal na dimensão afectiva,
Maria Teresa Ribeiro afirma estar-se a excluir
dimensões importantes na conjugalidade. “Para além
do afecto, o casamento envolve também a razão, os
comportamentos e as decisões”.
O casamento é considerado um contrato, pois “não se
legisla sob afectos”, indica a psicóloga. “Mas o
casamento, sob este quadro, é algo onde apenas
existe direitos e não deveres”.
A prestação de contas entre marido e mulher “vai
minar o casamento. Algo que se espera que seja união
e comunhão, vai ter características economicistas”,
explica.
Num processo de desvalorização familiar, a psicóloga
vaticina relações mais inseguras. Numa sociedade
onde não são promovidos os compromissos duradouros
“não é também promovida a natalidade”, aponta.
“Podemos questionar quem se arrisca a ter filhos
numa relação em que se facilita a vida a quem não
foi fiel aos compromissos assumidos”.
Estas alterações têm repercussões tanto para o casal
como para os filhos. A facilitação do processo de
divórcio “vai precipitar situações que poderiam ser
resolvidas entre os cônjuges e encaradas como crises
conjugais”.
Enquanto terapeuta familiar, Maria Teresa Ribeiro
relembra casos em que os cônjuges estiveram de facto
separados, mas que depois reconsideraram e
reconstruíram o casamento. “Facilitar é passar uma
mensagem de efémero e não de construção”.
A imagem de desburocratização criada em torno do
projecto-lei “é falsa. O que é apresentado como
simplificador irá com certeza complicar e acentuar
conflitos”.
Acerca da partilha do poder paternal, agora
denominado como exercício conjunto das
responsabilidade parentais, Maria Teresa Ribeiro
aponta a possibilidade de os filhos serem “joguete
entre os pais”.
Esta situação exige um acordo entre os pais, que não
existiu antes, acordo este que “na maioria dos casos
não acontece”.
Maria Teresa Ribeiro alerta ainda que esta situação
impõe, a quem fica com a guarda, o consentimento
sobre matérias relevantes, mas que não são definidas
na lei.