Sol.pt -
15 Mai
08
Divórcio
Petição na Internet pede revisão da nova lei
Uma petição está a circular na Internet pedindo a
revisão da nova Lei do Divórcio, em apreciação na
especialidade, considerando que o diploma é
«injusto» e «aumenta a conflitualidade» entre os
cônjuges
Lançada na quarta-feira pelo Foro da Família, que
congrega várias associações, a petição já reúne mais
de mil assinaturas, entre as quais as do presidente
do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim,
e do médico Gentil Martins.
Aprovada a 16 de Abril, com os votos contra do PSD e
CDS-PP, a nova Lei do Divórcio, proposta pelo PS,
prevê a dissolução do casamento sem consentimento
dos dois cônjuges desde que assente em causas
concretas.
Em apreciação na Comissão Parlamentar de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, o
diploma estipula que o cônjuge «que contribui
manifestamente mais do que era devido para os
encargos da vida familiar adquire um crédito de
compensação que deve ser respeitado no momento da
partilha».
Para Isilda Pegado, primeira subscritora da petição
e ex-deputada pelo PSD, a lei configura uma
«prestação de contas» entre marido e mulher no
momento do divórcio que, a seu ver, fazem com que o
diploma seja «injusto» e crie «mais conflitualidade
entre cônjuges».
A advogada e presidente da Federação Portuguesa pela
Vida deu o exmplo que um engenheiro que seja casado
com uma secretária terá direito, em caso de
divórcio, a três quartos da casa porque ganha mais
do que a mulher.
A nova lei aponta entre várias causas objectivas
para o divórcio sem consentimento mútuo «quaisquer
factos que, independentemente da culpa de um dos
cônjuges, mostrem a ruptura definitiva do
casamento».
Neles se inclui a violência doméstica.
Isilda Pegado considera «gravíssimo» que, neste
campo, o agressor possa, por exemplo, pedir o
divórcio quando bate na mulher e esse pedido sirva
de «atenuante» no processo judicial.
A jurista sustentou ainda, na data em que se
assinala o Dia Internacional da Família, que a
mulher do agressor pode perder «o direito de herdar
os bens doados em testamento» por um familiar do
marido e ter que «pedir autorização» a este para
levar os filhos ao médico ou transferi-los de uma
escola.
Isilda Pegado esclareceu que o regime de
responsabilidades parentais previsto na nova Lei do
Divórcio pressupõe que a guarda dos filhos do
cônjuge fique «dependente do consentimento do outro
cônjuge».
Os subscritores da petição defendem, em alternativa,
um regime de responsabilidades parentais assente na
«repartição de poderes entre pais e mães» e a
comunhão de bens.
Lusa / SOL