Público - 04 Mai
08
Bens essenciais cada vez mais caros
Sérgio Aníbal
Os portugueses estão este ano a sentir no próprio
bolso os efeitos da crise no mercado internacional
de bens alimentares. A maior parte dos produtos mais
consumidos e que ninguém pode evitar têm vindo a
registar durante os últimos doze meses as maiores
subidas de preços desde que Portugal entrou para o
euro.
Seja qual for a refeição que esteja a ser preparada,
o acréscimo de despesa, de Março do ano passado para
Março deste ano, nota-se, como revelam os últimos
números da inflação divulgados pelo Instituto
Nacional de Estatística. Assim, um simples
pequeno-almoço, constituído por leite, pão e
manteiga, tem de ser feito tendo em conta um
acréscimo anual de preços de, respectivamente, 17,6,
9,4 e 15,2 por cento em cada um destes produtos.
No caso de um almoço ou um jantar, as contas também
não ficam mais fáceis. Apesar de 1as carnes estarem
a registar, este ano, uma estabilização dos preços,
os acompanhamentos estão a sair mais caros. O custo
suportado com o arroz é agora 7,4 por cento mais
elevado e as massas registam um acréscimo de preço
anual de 27,8 por cento. As batatas podem ser uma
opção, já que em comparação com igual período do ano
anterior custam agora 24,5 por cento menos. Esta
descida, no entanto, apenas ocorre porque no ano
anterior os preços tinham subido, devido ao mau ano
de colheita, 38,9 por cento. O peixe, entretanto,
perdeu vantagens como alternativa já que a inflação
neste produto é actualmente de 6,2 por cento. O
mesmo acontece com os ovos, que já custam mais 13,8
por cento do que no ano passado.
A subida dos preços dos bens alimentares está longe
de ser um exclusivo português. No resto da Europa,
por exemplo, a subida de preços neste tipo de
produtos é até ligeiramente mais forte. O problema
para os portugueses - e em particular para quem tem
menores rendimentos - é que os alimentos pesam mais
no orçamento familiar, pelo que a inflação sofrida é
mais alta e o tempo que se leva a gastar o dinheiro
do mês bastante mais reduzido.