Jornal de Negócios online -
09 Mai 07
População idosa continua a aumentar
Número de crianças em Portugal caiu 64% em 45
anos
Paulo Moutinho
O número de crianças, definidas como a população
com menos de 15 anos, continua a diminuir em
Portugal. Entre 1960 e o final de 2005 observou-se
uma quebra de 64%, segundo os dados do Instituto
Nacional de Estatística (INE) que revelam que a
população idosa em Portugal não pára de aumentar e
que esta tendência tende a manter-se até 2050.
A população com menos de 15 anos passou de 2,59
milhões em 1960 para 1,64 milhões em 2005,
"prevendo-se que se reduza para 121 milhões em 2050,
caso o cenário base das projecções calculadas pelo
INE se confirme". As crianças em idade pré–escolar,
com idade inferior a seis anos, rondavam os 639
milhares em 2000, "prevendo-se que se reduzam para
473 mil" até meados deste século.
Ao mesmo tempo que o número de crianças e jovens
recua, verifica-se um aumento gradual da população
idosa, com idade igual ou superior a 65 anos.
Segundo o INE "de 709 mil indivíduos recenseados em
1960 passou-se para 1,81 milhões em 2005,
prevendo-se que atinja os 2,95 milhões em 2050, dos
quais 1,32 milhões são homens e 1,64 milhão são
mulheres".
"A passagem da fecundidade e da mortalidade de
níveis elevados para níveis baixos, ou seja, o
processo de transição demográfica, explica a queda
dos efectivos populacionais nas idades mais baixas e
o aumento dos efectivos populacionais", refere o INE.
Desta forma, o fenómeno do envelhecimento
demográfico acentua-se. "À medida que a mortalidade
nas idades avançadas continua a diminuir e a
fecundidade permanece baixa a proporção de pessoas
idosas continuará a aumentar, tornando-se o
envelhecimento demográfico irreversível", explica o
INE.
A baixa fecundidade em Portugal fica patente
quando se compara a proporção de agregados com uma
criança, aos restantes países da União Europeia.
Portugal apresenta a maior percentagem, com 24%,
enquanto Espanha assume a liderança do "ranking" no
que concerne a agregados com duas crianças.
As consequências do envelhecimento demográfico
encontram-se na esfera económica, em particular no
mercado de trabalho, na área social, influenciando a
composição da família, a procura de habitação, a
necessidade de cuidados de saúde e o lazer.