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Público
- 24 Mai 06
Palmeira convoca conselho de turma por causa de
aluno que agrediu professor
Ana Cristina Pereira
Agressão compagina uma das primeiras
manifestações de happy slapping (chapada alegre)
conhecidas em território nacional
Depois de múltiplas audições, a
Escola Básica 2, 3 de Palmeira, em Braga, decidiu
convocar o conselho de turma disciplinar para
analisar o caso do aluno que, na passada
quinta-feira, terá agredido um professor enquanto um
outro filmava. O fenómeno conhecido como happy
slapping (chapada alegre) parece ter chegado a
Portugal.
Segundo o presidente do conselho executivo da
escola, Alberto Mendes, foram ouvidos os dois alunos
do 6.º ano supostamente envolvidos, os respectivos
encarregados de educação, alguns colegas de turma e
o professor. A "falha é grave", a decisão do
conselho disciplinar deverá "ser comunicada no final
da semana".
Ao que o PÚBLICO apurou, concluiu-se por algum grau
de premeditação, já que só com muita sorte um jovem
estaria de câmara em punho no preciso momento em que
um outro agredia um professor. E por alguma vontade
de humilhar, já que as imagens foram remetidas para
outros alunos.
O happy slapping é um fenómeno cada vez mais popular
na Europa. Pode acontecer em qualquer lado. No
metro, no autocarro, na rua, num parque público, no
recreio, na sala de aula. Um indivíduo (quase sempre
um adolescente) humilha ou agride alguém e um outro
grava o episódio. O clip circula então, via
telemóvel, correio electrónico ou Internet.
A generalização dos aparelhos de terceira geração
facilita a prática. Mas "evitar que as crianças ou
adolescentes tenham acesso aos telemóveis é uma luta
perdida", avalia Manuel Pinto, docente da
Universidade do Minho que investiga a influência dos
media nos menores.
Na opinião de Pinto, o uso que se faz dos telemóveis
"tem, sobretudo, a ver com os valores, os contextos,
as relações sociais que se estabelecem, nomeadamente
com a violência que emerge cada vez mais nas
escolas". Haverá "no acto que é difundido" algum
tipo de "exibicionismo perante os pares", alguma
busca de notoriedade ou de "prestígio".
Reflectindo sobre o episódio de Palmeira, Manuel
Pinto recorre à figura da equipa de reportagem: "Há
um repórter, que é também actor, e um operador de
câmara". Haverá "alguma organização" e isto "não se
pode separar da noção de risco - a vantagem
simbólica supera o risco", o que indicia "que alguma
coisa, em termos de valores, está errada".
O fenómeno alastra por toda a Europa (ver caixa).
São quase sempre leves agressões, mas por vezes a
violência escala. Em Janeiro deste ano, Inglaterra
registou uma condenação: quatro jovens - entre os
quais uma rapariga que à data dos factos tinha 14
anos - foram sentenciados por homicídio. O juiz
concluiu que três deles faziam happy slapping com
regularidade e que tinham ficado obcecados com a
ideia de atacar pessoas e de filmar a cena para
posterior gratificação. |