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Público
- 24 Mai 06
PROJECTO
DE LEI VISA REFORMA
PSD
quer um gestor à frente de cada estabelecimento de
ensino
Leonete
Botelho e Isabel Leiria
Os directores não precisam de ser professores e
são eleitos por um órgão onde nem sequer estão em
maioria
Cada escola deve ter um modelo
educativo próprio, definido em contrato de autonomia
celebrado com o Ministério da Educação, e ser
dirigida por um director escolhido pela assembleia
da escola, não necessariamente professor, mais um
gestor profissional a quem seja reconhecido "mérito
individual" para a função. É este o modelo de escola
que o PSD propõe no "novo regime de gestão e
autonomia do ensino pré-escolar, básico e
secundário", cuja proposta de lei entra amanhã no
Parlamento.
Dois dias depois de Marques Mendes o anunciar no
final do congresso do PSD e no dia seguinte à
apresentação do debate nacional sobre educação
promovido pela Assembleia da República e Governo, o
deputado social-democrata Pedro Duarte, responsável
pelos assuntos de educação, apresentou ontem as
traves mestras de uma proposta que pretende "mudar o
paradigma da educação em Portugal". E que, no fundo,
recupera as ideias que o partido tem defendido ao
longo dos anos e que David Justino, o ministro da
Educação do Governo Durão Barroso, se propunha
introduzir.
A ideia da "gestão profissional" dos
estabelecimentos de ensino, com a possibilidade de
ser assegurada por outros profissionais que não os
professores, desde que tenham "formação adequada ao
desempenho do cargo", ficou, aliás, consagrada na
Lei de Bases da Educação, aprovada na Assembleia da
República com os votos favoráveis de PSD e CDS.
Só que o mesmo diploma acabou por ser vetado em
2004, pelo então Presidente da República, Jorge
Sampaio. A falta de consenso entre partidos,
designadamente em torno da gestão das escolas, que
suscitava "fundadas dúvidas de constitucionalidade",
foi um dos argumentos apresentados para o veto.
E foi também uma das principais críticas
manifestadas por PS, PCP e Bloco de Esquerda. Para a
oposição, era fundamental que a lei consagrasse que
os gestores seriam professores, recrutados pelas
próprias escolas e nunca por concurso público.
Dois anos depois, para o PSD, a gestão
profissionalizada e personalizada da escola volta a
ser um objectivo claro. "O que pretendemos é ter um
gestor à frente de cada escola", frisou Pedro
Duarte, considerando que isso acarreta "melhor
gestão", ao mesmo tempo que "liberta os professores
para a sua função de ensinar e educar". "Muitas
escolas são geridas por professores que não só não
têm vocação para gestores como muitas vezes o fazem
a contragosto", justificou, depois de criticar "o
que alguns chamam gestão democrática" da escola.
PSD espera apoio
do Governo
Sem querer adiantar até que ponto o novo director
(que substitui o actual presidente do conselho
executivo) terá autonomia de gestão, o porta-voz do
grupo parlamentar preferiu frisar a forma de escolha
do novo responsável: "Será a assembleia da escola,
composta maioritariamente por não-docentes - pais,
autarquia, meio social e cultural, empresas -, a
elegê-lo."
E a escolha tanto pode recair sobre um professor, da
escola ou de fora dela, como noutra personalidade
não-docente. "É uma medida que confere mais
liberdade e mais responsabilidade a cada escola",
considerou Pedro Duarte.
"Portugal tem no seu sistema educativo uma das
causas mais evidentes para o seu atraso estrutural",
sublinhou, frisando esperar que o Governo, "que até
hoje não tomou nenhuma medida estruturante nesta
matéria", se associe à iniciativa. |