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Público
- 24 Mai 06
Campanha pelo referendo custou 40 mil euros
Nuno Sá
Lourenço
O movimento que quer referendar a procriação
artificial ainda não tem data para ir entregar
assinaturas ao Parlamento
A campanha pela realização de um
referendo sobre a procriação medicamente assistida (PMA)
ou procriação artificial, como o Movimento
Pró-Referendo prefere chamar-lhe, custou
aproximadamente 40 mil euros e conseguiu donativos
na ordem dos 12 mil.
Estas foram as contas prestadas ontem, na
Universidade Católica, em Lisboa, aos mandatários
que patrocinaram a recolha de assinaturas para
solicitar ao Parlamento a convocação de um referendo
sobre PMA, cuja lei foi ontem aprovada em sede de
comissão parlamentar.
Pedro Líbano Monteiro fez o balanço dos 89 dias de
campanha, que incluiu ainda sessões de formação e
conferências. O mandatário e economista confirmou
ter já mais de 75 mil assinaturas - valor exigido
para a discussão no Parlamento -, que custaram 40
mil euros, "o valor que representam os gastos
efectivos na campanha".
De acordo com Líbano Monteiro, a recolha centrou-se
em locais como universidades, centros comerciais e
grandes reuniões de pessoas, como a inauguração do
Campo Pequeno. O movimento recolheu também
assinaturas em Fátima, confirmou.
Resta agora entregar a petição em São Bento. "Já
pedimos ao presidente da Assembleia da República
(AR) para marcar uma data para receber a petição,
que com certeza irá suspender o processo
legislativo", afirmou Isilda Pegado. A ex-deputada
não equaciona sequer a possibilidade de um chumbo do
Parlamento ao referendo. "A Constituição diz que a
soberania reside no povo", lembra.
Isilda Pegado lembrou as intenções do movimento. Sem
querer influenciar para já uma decisão, a pretensão
é suscitar o debate político. Uma crítica aos
deputados. "[A nossa campanha] foi a campanha que
não foi feita pelos deputados, porque acharam que
era muito difícil de explicar", disse Líbano
Monteiro.
A grande questão para o movimento é "o tratamento
dado à vida humana em fase embrionária", disse. "As
propostas que existem não protegem a vida humana, ao
contrário de leis mais modernas de outros países",
argumenta Isilda Pegado. A principal questão para os
promotores é que "não são necessários embriões
excedentários".
As 75 mil assinaturas obrigam apenas a Assembleia a
discutir o assunto. Os parlamentares podem chumbar a
resolução de convocação de referendo que, na
eventualidade de passar em São Bento, terá ainda de
ir a Belém, onde o Presidente da República terá a
última palavra sobre a convocação.
Os próximos passos do movimento centrar-se-ão ao
nível dos contactos. Segundo Isilda Pegado, serão
pedidas "audiências aos diferentes partidos
políticos e, possivelmente, pediremos ao Presidente
da República que nos receba". |