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Portugal Diário
- 23 Mai 06
Ribeiro e Castro com fraldas em Bruxelas
Para fazer a UE recuar na intenção de obrigar Portugal a
aumentar a taxa de IVA O líder do CDS
levou hoje fraldas de bebé e de adulto ao comissário
europeu da Fiscalidade para o tentar convencer a
recuar na sua intenção de obrigar Portugal a
aumentar a taxa de IVA deste produto.
«O que vim mostrar à Comissão
[Europeia] é que as fraldas são iguais com excepção
do tamanho e não se compreende esta discriminação
que seria violadora dos tratados porque é
discriminação em função da idade», disse José
Ribeiro e Castro no final de um encontro em Bruxelas
com László Kovács.
A partir de uma proposta de Bagão
Félix, ex-ministro das Finanças de Santana Lopes, o
então Governo decidiu passar a taxa de IVA das
fraldas para bebés de 19 para 5 por cento, uma das
medidas incluídas no Orçamento do Estado para 2005
que foi em seguida executada através de uma
alteração ao Código do IVA.
Na realidade, deixou de se fazer
distinção entre as fraldas para bebés e as fraldas
para adultos incontinentes, medida que a Comissão
Europeia contesta.
«Se Portugal perder este caso
significa um encarecimento de 2,5 euros de cada
pacote de fraldas» para bebés, disse Ribeiro e
Castro.
O líder do CDS-PP na sua
qualidade de membro do Parlamento Europeu criticou
ainda a «inacção» do actual ministro das Finanças
nesta matéria e «chamou a atenção» do
primeiro-ministro português para a questão.
«Portugal tem de defender a
política fiscal correctíssima definida em Dezembro
de 2004 por Bagão Félix», disse.
A Comissão Europeia decidiu no
início de Abril adiar a abertura de um processo de
infracção contra cinco Estados-membros, entre os
quais Portugal, que aplicam a taxa reduzida de IVA
às fraldas para bebés.
Dois comissários europeus,
Jacques Barrot (francês) e Vladimir Spidla (checo),
discordaram da proposta dos serviços de László
Kovács, invocando ir contra a política europeia de
aumento da natalidade.
Na altura, o comissário europeu
responsável pela Fiscalidade concordou em adiar a
decisão que insta Portugal, Polónia, Malta,
República Checa e Hungria a darem explicações
(«notificação por incumprimento») sobre as razões
que os levaram a aplicar uma taxa «reduzida» de IVA
e não «normal» sobre as fraldas para bebés.
Fonte comunitária disse à Agência
Lusa que Bruxelas irá tomar uma decisão sobre este
processo no final de Junho.
«A Comissão tem feito o possível
para dar espaço aos Estados- membros para resolver o
problema», sustenta Ribeiro e Castro, acrescentando
que «ainda há tempo para Portugal agir como o deve
fazer». |