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Público
- 23 Mai 06
A escola está "sufocada por um excesso de
missões"
Isabel Leiria
O exercício proposto pelo reitor da Universidade de
Lisboa, António Nóvoa, é simples. Consultem-se os
registos dos últimos meses de debates na Assembleia da
República (AR) e vejam-se as tarefas atribuídas à
escola. Da educação ambiental à sexual, da
toxicodependência à prevenção da gripe das aves,
passando pela segurança rodoviária, sensibilização para
as questões da violência doméstica e abuso sexual ou a
formação cívica dos alunos, pouco fica de fora.
"Tudo isto é certo e nenhum de nós se atreverá a excluir
qualquer uma destas tarefas. Mas será que a escola pode
fazer tudo isto para além da sua acção primordial? A
minha opinião é que não. A escola está sufocada por um
excesso de missões e terá de recentrar-se nas
actividades escolares", defendeu ontem António Nóvoa,
durante a apresentação do debate nacional promovido pela
AR e pelo Governo, e organizado pelo Conselho Nacional
de Educação, por ocasião dos 20 anos da publicação da
Lei de Bases do Sistema Educativo, que decorrerá até
Novembro.
António Nóvoa alertou para o perigo de a escola "passar
a ser essencialmente um centro social nos meios mais
problemáticos e uma instituição centrada na aprendizagem
nos meios mais favorecidos". "Em nome da democratização,
estamos a tornar ainda mais frágeis os que já o são". O
excesso de "rigidez" do sistema de ensino e a falta de
opções de uma escola que "continua a trabalhar para o
aluno médio - uma ilusão que arrasta milhares para o
insucesso e impede muitos outros de desenvolver as suas
vocações" - foram outros dos problemas apontados pelo
historiador de Educação.
Presente na apresentação do debate, o primeiro-ministro
lembrou o muito que foi conseguido em 20 anos, mas disse
ser preciso agora "menos ideologia e mais resultados".
Até porque a má posição relativa de Portugal em termos
internacionais "não se alterou no essencial desde o
século XIX", lembrou Nóvoa. |