Este responsável do Centro de Pesquisa de Etnopsicologia da
Califórnia foi colaborador de Carl Rogers, psicólogo americano autor dessas
teorias e que no final da sua vida admitiu o fracasso do seu trabalho.
Em declarações à Renascença, William Coulson lembra que
esteve em Portugal, em Novembro do ano passado, e nessa altura tomou contacto
com o que se pretende ensinar aos jovens sobre Educação Sexual.
O investigador aconselha as autoridades portuguesas a
desistirem dos programas que estão em vigor, tendo em conta os resultados
obtidos nos Estados Unidos.
"Eles aplicam nas escolas portuguesas mensagens de
clarificação de valores que eclodiram nos Estados Unidos nos anos 60 e têm sido
constantemente desacreditados pela investigação e pela experiência".
William Coulson mostra-se contra a "excessiva discussão" dos
temas de educação sexual nas salas de aula, considerando que "são inteiramente
desapropriadas para as crianças".
Nesta entrevista à Renascença, o investigador, que publicou
uma carta aos pais portugueses na edição deste fim-de-semana do "Expresso",
sublinha que é perigoso abordar a educação sexual nas escolas e fala de um
"monstro" que é preciso atacar.
"É esse o monstro de que falei. É manifestado em níveis
epidémicos de doenças sexualmente transmissíveis e em promiscuidade sexual
epidémica. Ninguém ganha com isto, excepto os pornógrafos, e como também acho, a
Federação Internacional de Associações de Planeamento Familiar, que é a maior
promotora de abortos", reitera.
"Eu sei que o aborto é ilegal em Portugal, mas o tipo de
actividades que são promovidas nestes programas, que eu chamo de monstros,
levam-nos a um maior número de abortos e, por isso, gostava que este programa
acabasse", sublinha William Coulson.
A questão da educação sexual nas escolas é um dos assuntos do
momento na sociedade portuguesa.
O MOVE - Movimento de Pais considera que está a ser feita uma
campanha de desinformação e colocou na Internet uma petição, na qual estão já 9
mil assinaturas. O "site" do MOVE também vai disponibilizar toda a documentação
enviada pelo Ministério da Educação às escolas em 2000.