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Falta na
sociedade de hoje uma coisa
simples respeito e cuidado
com o outro. Se quiserem,
cerimónia, acanhamento. De
uma forma genérica, o
cuidado foi-se perdendo pela
vulgarização do que se
define como absoluto: somos
todos iguais. Não somos e é
nesse preciosismo que se
constrói a liberdade.
Somos iguais sendo
diferentes - e é nessa
verdade que surge o combate
assumido pelo novo chefe da
Igreja Católica. Um combate
ao relativismo.
A eleição de Joseph
Ratzinger levantou um coro
de frustração que envolveu
pessoas como Mário Soares.
Um entre muitos que, no
mundo em que querem viver,
preferiam um Papa sem regras
ou contradições.
Os argumentos são, também
eles, vulgares há o
preservativo, a pílula do
dia seguinte, o aborto, a
droga que está aí e é
incontrolável. Dito isto,
legalize-se tudo o que é
costume.
É óbvio que ninguém no seu
perfeito juízo quererá
ilegalizar o preservativo,
uma escolha pessoal ou negar
a droga que existe. Muito
menos deixar de questionar o
tratamento que se dá à vida
humana. Não é assim que se
faz o combate ele é duro por
ser contra a corrente do
facilitismo a que a espécie
triunfante regularmente cede
para justificar as suas
fraquezas.
Em Portugal discute-se a
educação sexual. O Estado
está preocupado e quer ser
responsável a ideia é
ensinar no currículo básico.
Trata-se de crianças.
E o que se conhece do
desenho de um programa
educacional é aterrador.
Susceptível de se imaginar o
trabalho de um professor
numa sala de aula. Exemplos
possíveis estão num texto
exemplar de Henrique
Monteiro no Expresso.
Questiona-se o articulista
sobre o efeito de algumas
questões que o programa
possibilita "Em que pontos
gostas mais que te toquem?
Já te masturbaste? Onde? Com
quem? Imagina que chegaste a
um país onde a maioria da
população é homossexual..."
E se estas perguntas fossem
feitas "a um adulto, num
emprego"?
Imaginem que isto acontece a
crianças, ditado por um
Estado que acha que a
educação sexual é uma
obrigação social e, nesse
pressuposto, se deve
substituir à família, aos
pais que devem ser
educadores.
É assim que pensam os
fundamentalistas que gritam
com o argumento do
reaccionarismo e descobrem a
homofobia. Eles andam por
aí, já fabricaram um dia de
luta nacional e engrossam a
frente de tontos que
alimenta o grupo de
Francisco Louçã.
É importante saber-se o que
o Governo de José Sócrates
vai fazer. Há vida além do
défice. |