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A Capital - 18 Mai 05
O escândalo da educação sexual
Daniel Sampaio
Número
preocupante de grávidas adolescentes, sobretudo em idades muito
jovens. Consumo significativo da pílula do dia seguinte, a indicar
contracepção de emergência. Estudos a revelar comportamentos sexuais
de risco em adolescentes. Inquéritos a mostrar falta de
conhecimentos sobre a sexualidade, em jovens de todo o País.
Ausência de informação sobre o mesmo tema, em muitas escolas.
Noutras as acções ou não têm continuidade, ou não são correctamente
avaliadas.
Tudo isto ocorre, mas a educação sexual é obrigatória desde 1984 e o
Estado paga quantias significativas para a fornecer, através de
protocolos com entidades com função de a promover e coordenar: a
Associação para o Planeamento da Família e o Movimento para a Defesa
da Vida. Tanto quanto é possível perceber, estas associações
realizam acções nas escolas e promovem a formação de interventores
no tema, mas os indicadores de saúde sexual existentes mostram que
existe um longo caminho a percorrer.
Mais: notícias recentes descrevem manuais destinados a professores,
de estética duvidosa e conteúdo inquietante, onde se pretendem
transmitir ideias de educação sexual, através da realização de
exercícios de verbalização ou de exploração corporal, com crianças
do 2.º ciclo. A confirmarem-se estas novidades, atingiu-se o
escândalo.
Há muito que, sem sucesso, denuncio esta situação. Pode ser que,
desta vez, o faça com mais resultados.
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