A
violência é um acto deplorável, muito mais se exercida no seio da
Família. Considera-se como um acto violento todo e qualquer acto
exercido sobre uma pessoa no sentido de lhe causar dano físico,
psicológico ou moral. Inscrevem-se, assim, nos actos violentos, as
sovas, os socos, os insultos, as humilhações, as proibições sem
sentido, ou melhor com um sentido bem determinado de coarctar a
liberdade de determinada pessoa sem razão objectiva ou desconexa.
São, pois, muito diversas as situações sobre alguém. A violência
nunca é resposta humanamente aceitável. Constitui uma agressão à
dignidade humana e por isso, fere os direitos humanos.
A Família, deve-se caracterizar como a primeira e mais determinante
escola da tolerância, do diálogo, da compreensão e, por conseguinte,
do Amor. Contudo, em muitas famílias vivem-se situações em que a
violência é uma constante. Violência exercida entre os cônjuges, que
deveriam dar o exemplo do amor tolerante e compreensivo, valorizando
o diálogo. Violência de Pais sobre os filhos, pelo exercício do
poder parental de forma autoritária e discricionária em vez da
prática de atitudes de serviço aos filhos pelo exercício da
autoridade parental, amorosamente vivido no quotidiano como forma de
os fazer crescer responsavelmente e, assim preparando-os para a vida
em liberdade. Violência, também, quando os Pais se demitem da
educação da prole, embarcando em comportamentos laxistas e de
permissividade que não são mais do que actos deletérios de
negligência. Violência que passa, igualmente, pelo défice amoroso,
acolhimento e escuta a cada filho e que estes tanto precisam.
Violência exercida pelos filhos sobre os Pais, pela prática da
desobediência, agressão física ou psicológica. Violência, nas suas
múltiplas versões (soft ou hard ), de que são vítimas
os deficientes, velhos ou doentes…
A violência nas famílias, infelizmente, é uma dura e bem triste
realidade a que urge pôr cobro: prevenindo comportamentos violentos
– ajudando, apoiando e denunciando! Tratando as patologias
individuais e grupais familiares.
A formação, a orientação e a mediação familiares são apelos que
precisam de encontrar disponibilidade de meios técnicos e
financeiros. Àqueles temos feito “ouvidos moucos”. Preferimos
lamentar. Ou chorar sobre “o leite derramado”. Ou, pior ainda,
“bater o mea culpa no peito dos outros!”