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Público - 15 Mai 04
Linha Informar Famílias
respondeu a mais de 900 perguntas
Por ANDREIA
SANCHES Às vezes, são desabafos
angustiados, outras dúvidas bem concretas sobre questões práticas,
como o número de faltas que uma mãe pode dar no emprego para
assistência aos filhos menores. A Linha Informar Famílias (218 441
399) recebeu 586 chamadas no seu primeiro ano de vida.
Aos juristas que, nas instalações do Ministério
da Segurança Social e Trabalho, em Lisboa, atendem o telefone, foram
colocadas mais de 900 questões entre 19 de Maio do ano passado e o
princípio desta semana. A licença parental foi o assunto que levou
mais pessoas a ligar. Iniciativa da coordenadora nacional para os
Assuntos da Família, Margarida Neto, a linha telefónica tem como
missão informar os cidadãos sobre os seus direitos e deveres em
áreas como a maternidade, a paternidade, o poder paternal ou os
direitos das crianças. De acordo com a informação disponibilizada ao
PÚBLICO pelo serviço, a maioria das chamadas foi feita por mulheres
(à volta de 70 por cento). Só no que diz respeito ao tema mais
popular - o gozo dos primeiros 15 dias de licença parental -, o
número de homens que discou o número da Informar Famílias é
superior. A quem liga, os técnicos explicam a legislação, como deve
ser pedida esta licença, como deve o empregador ser avisado.
Contudo, nem todas as perguntas são tão fáceis.
Um pequeno número de pessoas recorre ao serviço para se lamentar.
Quem está habituado a atender o telefone, lembra-se de casos de
violência doméstica, outros de grande pobreza, misturada com
desemprego e doença prolongada. Sempre que possível, as situações
são encaminhadas para outros serviços mais indicados, explica uma
jurista ligada ao serviço. Mas, às vezes, a solução não parece nada
óbvia e algumas pessoas acabam por terminar o telefonema dizendo que
só ligaram mesmo para desabafar.
A esmagadora maioria dos clientes da Informar
Famílias tem, no entanto, um propósito claro. As perguntas colocadas
no último ano versaram sobre áreas diversas e uma percentagem
significativa está relacionada com a conciliação entre a vida
familiar e profissional (49,18 por cento do total das questões). As
faltas para assistência a menores ou à família, os diferentes tipos
de licença, os horários de trabalho e os conflitos entre empregados
e empregadores estão entre alguns dos assuntos mais abordados.
Crianças, educação, saúde ou segurança social são
outras áreas temáticas destacadas no balanço de um ano de
actividade. Há quem procure informar-se sobre abono de família,
questione como ter acesso a um advogado oficioso em caso de
divórcio, queira perceber melhor as regras de regulação do poder
paternal, e quem procure informação sobre adopção ou equipamentos
destinados a idosos ou terapia familiar.
Inicialmente, a Informar Famílias era para ter
sido uma linha de custo repartido entre os utilizadores e a
coordenação, ideia que não avançou por restrições orçamentais.
Actualmente, o custo de chamada é suportado pelos utilizadores. O
serviço está disponível entre as 10 e as 18 horas. Fora deste
horário, pode ser deixada mensagem.
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