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Público - 15 Mai 04
Empresas Apostam na Qualidade da Vida Familiar
Por BÁRBARA WONG
Fazem "baby-sitting", dão
explicações, engomam roupa, limpam a casa, ajudam a cuidar dos mais
velhos. Por todo o país, nos últimos anos, abriram centenas de
pequenas empresas com o objectivo de ajudar os casais que trabalham
fora de casa. Em muitos casos, um serviço acessível apenas a algumas
bolsas.
"Há dez anos
não existia nada e durante anos estivemos sozinhos no mercado.
Actualmente já existem muitas empresas", conta Isabel Perry da
Câmara, sócia fundadora da Família Viva, que nasceu no Porto em
1993, com o objectivo de apoiar as famílias com idosos ou doentes
acamados em casa, e que também faz "baby-sitting", ou seja, tomar
conta de miúdos.
Ao longo dos
anos, muitos empresários perceberam que o apoio à família era uma
aposta quase certa, embora, realça Isabel Perry da Câmara, nem
sempre é fácil trabalhar só com recursos humanos e com qualidade.
E, um pouco
por todo o lado, começaram a surgir pequenas empresas de
engomadoria, de venda de comida para fora, "baby-sitting", ocupação
de tempos livres, centros de explicações e apoio a idosos. Serviços
a que as famílias, em que pai e mãe trabalham fora, precisam de
recorrer para dar resposta ao cuidado dos filhos, depois de saírem
da escola; ou dos pais, quando começa a ser preocupante deixá-los
sozinhos em casa.
"Este é um
serviço emergente porque há muita necessidade. E toca em qualquer
altura da nossa vida: desde a jovem dona-de-casa à filha que quer
manter o pai em casa, em vez de optar pelo lar", explica Helena
Serdoura, sócia-gerente da Babete & Avental, que nasceu em 1999, e
da Housekeeping, mais recente, em Lisboa.
A primeira
surge com o propósito de seleccionar e colocar pessoal doméstico,
motoristas, profissionais para apoio geriátrico e "baby-sitters". A
segunda, a Housekeeping, faz formação de pessoal doméstico, mas
também lecciona cursos de puericultura ou de primeiros socorros
dedicados a jovens pais, e de cuidados básicos com idosos. A ideia
surgiu na sequência de um projecto, que mereceu a atribuição de um
prémio pela Universidade de Lisboa ISCTE/INDEG. "Somos pioneiros
nesta área", declara Helena Serdoura, que informa que a sua carteira
de clientes, cerca de cinco mil, está sobretudo na classe média/alta
e alta.
"Como não há
apoios da Segurança Social, o custo é todo suportado pela própria
família", continua Helena Serdoura, explicando por que é que muitas
famílias não podem recorrer aos serviços das suas empresas.
Isabel Perry
da Câmara lamenta que os privados não possam fazer parte da rede de
apoio domiciliário, "embora a Segurança Social conheça a sua
existência". Actualmente, a empresa tem sucursais em Aveiro, Braga,
Coimbra, Leiria, Lisboa. E tem acordos com diferentes ordens
profissionais, sindicatos de professores, bem como com seguradoras,
para o apoio a pessoas acidentadas.
No caso da
Família Viva, as assistentes domiciliárias dão todo o apoio aos
idosos, desde cuidados de higiene, alimentação, a acompanhamento na
doença. Se uma família optar por este serviço 24 horas por dia, o
custo poderá chegar aos 2500 euros por mês. "Não é excessivo,
Portugal é que é um país pobre", afiança a fundadora da Família
Viva, que defende que "deveria ser obrigatório o Estado ter esses
serviços organizados, de maneira a que todos pudessem usufruir dos
mesmos". "Claro que, como empresária, vivo disto, mas é um direito
que assiste a todas as pessoas", sublinha.
No caso da
Pais & Filhos, cujos clientes são das linhas de Sintra, Cascais e
Lisboa, os serviços que oferece - que vão desde a engomadoria a
limpezas, passando por explicações e aulas de música -, são
sobretudo para "aumentar a qualidade de vida das famílias". Para que
estas tenham tempo para fazer outras coisas, como ir ao cinema ou
jantar fora, que não poderiam, se tivessem de despender tempo a, por
exemplo, arrumar a casa.
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