|
Público - 15 Mai 04
Número de famílias aumenta mas
diminui a sua dimensão
Por BÁRBARA WONG
Entre 1991 e 2001, o número de famílias, ou seja, de pessoas com
relação de parentesco que vivem na mesma casa, aumentou. Mas a
dimensão média das chamadas famílias clássicas diminuiu de 3,1 para
2,8 pessoas. Os dados são já conhecidos, mas o Instituto Nacional de
Estatística (INE), associando-se às celebrações do 10º aniversário
do Dia Internacional da Família, resolveu publicar uma breve
caracterização da situação portuguesa.
A família tradicional portuguesa, com pai, mãe e
fillhos está a perder pontos para as famílias unipessoais de idosos
e monoparentais. embora as primeiras continuem a ser a maioria.
No período entre os dois censos observou-se uma
quebra de 4,6 por cento na dimensão média da família. No entanto, as
famílias portuguesas são das maiores da Europa, lado a lado com a
Espanha e a Irlanda, com valores a rondar as três pessoas, superior
à média comunitária, que é de 2,4 pessoas.
Em Portugal, a ligeira quebra deve-se sobretudo
ao aumento de famílias unipessoais, constituidas sobretudo por
idosas sozinhas e pela diminuição das famílias numerosas. Entre 1991
e 2001, registaram-se variações negativas do número de famílias com
cinco pessoas (menos 18 por cento) e com seis ou mais (menos 42,6
por cento). As famílias de apenas duas pessoas são as mais
representativas (com um peso de 28,4 por cento do total de famílias
clássicas em 2001).
A taxa de nupcialidade também diminuiu apesar de
ser a segunda mais elevada da Europa dos 15. Os portugueses optam
por casar mais tarde, alterando-se de 26,3 anos nos homens para 27,8
e, no caso das mulheres de 24,4 para 26,1 anos, entre 1991 e 2001.
Em dez anos verificou-se o aumento de casais sem
filhos (de 28,8 para 30,9 por cento), que podem ser pessoas cujos
descendentes já sairam de casa. As mulheres têm menos filhos e adiam
ter o primeiro (de 24,4 anos em 1991 para 26,8, dez anos depois).
Também optam por tê-los fora do casamento, em alguns casos dando
origem a núcleos de famílias monoparentais - estas aumentaram dois
pontos percentuais relativamente a 1991 (são 11,5 por cento) e são
sobretudo as mães (dez por cento) que ficam com os filhos.
No caso dos casais, observou-se uma diminuição
dos que têm filhos (de 60,9 para 56,7 por cento). Paralelamente
assistiu-se à subida da taxa de divórcios, que passou de 1,1 para
cada mil habitantes, para 1,8 em 2001. Com o aumento dos divórcios,
surgem, frequentemente, novas famílias, as reconstituídas, com
filhos de outras relações. A maioria destes núcleos familiares são
compostos por casais "de facto", que correspondem a 1,5 por cento
das famílias.
[anterior] |