Público - 6 de Maio

A Droga, o Café e a Pedofilia

Um dos principais argumentos do movimento (ou será melhor chamar-lhe "lobby"?) que defende a liberalização das drogas é o seguinte: a liberalização é o método mais eficaz para combater o tráfico de droga, porque a liberalização provoca automaticamente a queda dos preços e, se a droga passar a custar o mesmo que o açúcar ou o café (defendia na televisão um intelectual defensor da ideia), o tráfico deixará de ser rentável.

Só há uma coisa neste raciocínio que eu não entendo. Se isto é assim, por que é que os grandes empresários de açúcar e de café continuam a enriquecer e não abandonam o ramo?

E por que é que, nos Estados Unidos, as grandes multinacionais de tabaco e de armas gastam milhões de contos a financiar campanhas e movimentos antiproibicionistas? Seguindo o argumento dos defensores da liberalização de drogas, isto é um contra-senso. Com efeito, as grandes multinacionais de tabaco e armas até deviam estar interessadas na proibição: os preços subiriam em flecha e, então, é que era fazer dinheiro...

Mas também poderíamos fazer a pergunta de outra maneira: se as grandes multinacionais de tabaco e de armas financiam e apoiam os movimentos antiproibicionistas, quem financiará estes movimentos que defendem a liberalização das drogas?

Porque deixemo-nos de hipocrisias: os principais interessados na liberalização das drogas são precisamente os grandes traficantes. Em primeiro lugar, porque deixam de ser traficantes para passarem a ser grandes empresários. Em segundo lugar, porque a descida do preço da droga é largamente compensada quer pela descida dos custos (transportes caríssimos, empregados pagos a peso de ouro e apreensões de droga), quer pelo aumento da procura (ou a lei da oferta e da procura também não se aplica à droga?).

Não deixa também de ser curioso verificar como são coincidentes os argumentos dos defensores da legalização da droga e da pedofilia: desde o facto de se invocar ter sido esta uma actividade perfeitamente normal e aceite na Antiguidade, ao facto de a legalização ser o melhor meio de controlar a actividade e proteger os jovens e as crianças, para já não falar no facto de ser um doença.

Mas digam-me com franqueza: acham verdadeiramente que a principal preocupação de quem defende a legalização da pedofilia e das drogas são as crianças e os jovens? Ou acham que a sua principal preocupação é, pelo contrário, os seus interesses (alguns bem obscuros) e os seus vícios?

Santana-Maia Leonardo, Ponte de Sor

 

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