Público - 15 de MaioO PROBLEMA: Famílias
numerosas debatem fiscalidade
Imagine um casal com sete filhos: nove banhos diários, pelo menos, o
que faz passar a conta da água para um escalão que a torna 150 por cento
mais cara do que a que paga um casal com apenas um filho. "É uma pequena
empresa", resume Carlos Soares, da Associação Portuguesa de Famílias
Numerosas. Num país com tendência para envelhecer, quem faz por renovar a
população "é penalizado", diz o presidente da delegação Porto, que
organizou para hoje à noite uma conferência sobre a família e a
fiscalidade, pelas 21h30, no auditório do Hospital Militar do Porto.
São múltiplas as "penalizações" imputadas pelo Estado às famílias
numerosas, que em Portugal representam sete por cento. "Neste momento, as
famílias monoparentais amortizam mais no IRS do que as famílias compostas
por três ou mais filhos", aponta Carlos Soares, a aguardar o oitavo
descendente. "O fisco é cego - os tectos máximos de dedução fiscal são
iguais para quem tem três ou oito filhos", explica.
As famílias numerosas não reivindicam ajudas de custo - "não estamos a
pedir subsídios". O que querem é "não ser castigadas" por serem grandes.
"O Estado olha para os rendimentos e define que a família é rica ou
pobre"; ora, se um casal ganha 600 contos e tem oito filhos para cuidar,
tem uma despesa brutal", frisa Carlos Soares. E é isso que desejam que
entre em linha de conta.