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Público - 12 de Maio
Crianças Amamentadas São Mais Inteligentes
Por MARC KAUFMAN
Estudo feito na Dinamarca
Quanto mais tempo dura a amamentação, até aos nove meses, mais inteligente
será o bebé
As crianças amamentadas durante os primeiros nove meses de vida tornam-se
significativamente mais inteligentes do que as que mamaram um mês ou
menos, conclui um estudo divulgado no "Journal of the American Medical
Association". Os resultados do trabalho feito junto de mais de 3000 jovens
de ambos os sexos na cidade de Copenhaga, capital da Dinamarca, vêm
reforçar a ideia, há muito sugerida mas nunca provada, de que a
amamentação não só torna os bebés mais saudáveis como também mais
inteligentes.
"Estamos absolutamente certos de que o que aqui vemos é o efeito da
duração da amamentação na inteligência do indivíduo", afirma uma das
autoras do estudo, June Machover Reinisch, do Instituto Kinsey para
Investigação em Sexo, Género e Reprodução. "A questão que fica em aberto é
saber qual o específico pormenor da amamentação que resulta em maior
inteligência."
"Crescem as provas de que a amamentação está entre os mais importantes
benefícios para a vida que uma mãe pode dar aos seus filhos", acrescenta a
investigadora.
Reinisch disse ainda que o estudo, o primeiro a medir os efeitos da
amamentação muito para lá da infância, detectou uma presença
desproporcionada de pessoas que tinham sido amamentadas durante um mês ou
menos entre os que tinham obtidos fracos resultados nos testes de
inteligência.
O relatório final adianta três explicações possíveis para explicar a
associação feita entre a duração da amamentação e os resultados dos testes
de inteligência.
A primeira é que dois ácidos gordos associados ao desenvolvimento das
células nervosas e cérebro estão presentes no leite materno, mas não
aparecem no leite de vaca e nas fórmulas de leite em pó. Os dois - o ácido
docosa-hexanóico e o ácido aracidónico - já foram usados em experiências
para melhorar a visão e algumas respostas motoras em crianças e jovens.
Segundo Reinisch, estes dois compostos integram o grupo das centenas que
se podem encontrar no leite materno, mas não nos seus substitutos. Já foi
provado que outras substâncias encontradas no leite humano ajudam a
melhorar a saúde respiratória e gastro-intestinal das crianças.
Os autores do estudo sugerem igualmente que a relação mãe-criança pode ser
aprofundada através do processo de amamentação e que isso afectará o
desenvolvimento intelectual da criança. Uma terceira hipótese prende-se
com a ideia de que o tempo que uma mãe dedica à amamentação pode ser um
"indicador do interesse, tempo e energia que ela pode investir na criança
durante a totalidade do processo de crescimento".
Apesar de as autoridades públicas de saúde - e mesmo os fabricantes de
alimentos para crianças - recomendarem a amamentação como a melhor forma
de alimentar um bebé nos primeiros seis a 12 meses de vida, são cada vez
mais as crianças que crescem de biberão na boca.
As novas descobertas e as conclusões que elas permitem tirar sobre os
benefícios da amamentação para a saúde e para o crescimento virão
certamente animar ainda mais o já razoável debate público sobre como
encorajar a amamentação. Nos EUA, a percentagem de mulheres que alimentam
os seus filhos ao peito é mais elevada entre os brancos e nas classes mais
abastadas, baixando entre os negros e mais pobres. Mas essa é uma
realidade que varia de país para país.
Estudos anteriores já sugeriam uma ligação entre a amamentação e a
inteligência, mas este parece ter fornecido a mais forte indicação de que
há uma relação de causa e efeito.
A investigação, financiada maioritariamente pelo Instituto Nacional de
Saúde, usou dois grandes grupos de mulheres e homens dinamarqueses que têm
sido estudados desde que as suas mães ficaram grávidas deles, entre 1959 e
1961. Quando as crianças fizeram um ano, as mães foram questionadas acerca
do seu tempo de amamentação.
A um grupo de 973 foi feito um teste de Coeficiente de Inteligência
Weschler - uma intensa entrevista pessoal -, enquanto os 2280 homens da
outra amostra foram sujeitos a testes de inteligência por ocasião do
recrutamento militar. Em ambos os grupos, os que foram amamentados durante
nove meses obtiveram pontuações significativamente mais altas do que
aqueles que tinham mamado menos de mês.
Para reforçar a conclusão de que a amamentação influencia a inteligência
do bebé, os investigadores detectaram um forte "efeito de dose" - uma
melhoria gradual à medida que sobe o tempo de mama, até à barreira dos
nove meses, altura em que esse efeito desaparece.
Exclusivo PÚBLICO/"The Washington Post"
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