PortugalDiario - 13 de MaioProfessores devolvidos
às escolas
Professores destacados no ME serão devolvidos às escolas - ministro
O ministro da Educação, David Justino, anunciou hoje, no Porto, a
intenção de «devolver» às escolas os cerca de 1500 professores
requisitados e destacados no ministério, que cresceu em sacrifício do
ensino.
Esta é uma das medidas com que David Justino pretende reformular e
agilizar o Ministério da Educação (ME), por forma a apoiar as escolas de
forma mais rápida e eficaz.
«O ME tem cerca de 1500 professores destacados e requisitados que,
embora sejam muito necessários ao ministério, são muito mais necessários
às escolas», disse o ministro, que falava na Escola Secundária Alexandre
Herculano na posse da nova Direcção Regional de Educação do Norte (DREN),
presidida por Lino Ferreira.
Para David Justino, a administração educativa precisa de recentrar os
seus recursos no que é fundamental, sacrificando o que é acessório.
«O ME cresceu para além do que seria razoável, complexificou-se para
além do que seria necessário e acabou por resignar e refugiar numa
burocracia asfixiante», criticou, acrescentando que «o abuso de
requisições e destacamentos de professores engordou a administração e
sacrificou o ensino».
David Justino, que afirmou não se conformar com a situação, defendeu
«uma administração mais leve e mais ágil». E prometeu para os próximos
meses «sinais claros» de que a administração educativa «vai mesmo mudar».
«Toda a gente sabe que os corpos muito pesados e muito gordos têm
dificuldade em mexer-se. Eu quero um ministério que liberte e não asfixie
as escolas, por isso, preciso de ter um ministério mais adequado a esse
objectivo», justificou.
O ministro defendeu ainda a «racionalização da rede escolar, em
especial a do primeiro ciclo do ensino básico».
A título de exemplo, afirmou que no ano lectivo de 1996-97 as escolas
básicas do primeiro ciclo com menos de 10 alunos representavam 24 por
cento do total e que passados cinco anos representam 27 por cento.
A rede do pré-escolar «já apresenta idênticos sintomas», estando «mais
do que demonstrado que os efeitos destas condições de ensino na formação
das crianças são potenciadores de insucesso escolar e um manifesto
desperdício de recursos públicos».
«Teremos de desenvolver um trabalho de sensibilização das populações
para que este problema, ao mesmo tempo que se impõe aprofundar o esforço
de concertação com as autarquias», frisou.
David Justino chamou ainda ao seu discurso a indisciplina e o abandono
escolar, afirmando que «muito em breve» o governo apresentará à Assembleia
da República uma proposta de lei sobre o estatuto do estudante do ensino
básico e secundário.
«A primeira medida a tomar é definir um quadro legislativo que seja
favorável à existência de disciplina», disse, criticando o actual quadro
legislativo, na medida em que «burocratiza o processo disciplinar».
Confiar nos professores, reforçar a sua autoridade e garantir os
próprios direitos dos alunos são objectivos prioritários: o ME pretende
«afectar responsabilidades, assegurar direitos, mas exigir deveres, num
quadro em que a burocracia não propicie o benefício do infractor».
«A burocracia, tal como existe nas escolas, vai conduzir a que os
professores, mesmo que tenham razão de queixa, não a apresentem porque não
estão, obviamente, para ser molestados e desautorizados perante a
burocracia que se lhes exige», sustentou.